domingo, 11 de outubro de 2009

Assentados vivem de vender madeira para fazer carvão

do Estado de São Paulo
No Aimorés, faltam lavouras e 409 famílias tiram sustento de eucalipto plantado há mais de 20 anos

O movimento intenso de máquinas, carretas e picapes de cabine dupla contrasta com os casebres de lona plástica que despontam em 3 mil hectares do Assentamento Aimorés, em Pederneiras, no centro-oeste do Estado, a 321 quilômetros de São Paulo. Os homens nas picapes são negociantes de madeira e estão interessados nas toras de eucalipto que os assentados vendem a preços convidativos.

Diariamente, pelo menos 15 caminhões carregados de madeira deixam para trás a poeira das estradinhas do assentamento em direção à Rodovia Marechal Rondon. O pó se confunde com a fumaça dos fornos que transformam restos do eucaliptal em carvão.

As 409 famílias assentadas no Aimorés sobrevivem à custa do eucalipto plantado há mais de 20 anos pela empresa Votorantim Papel e Celulose (VCP), do grupo Votorantim, na área em processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O terreno do antigo Horto Florestal pertencia à Rede Ferroviária Federal e estava arrendado à empresa por 30 anos.

Antes da imissão de posse dada ao Incra em março de 2007 pela Justiça, integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), do Terra Nossa e da Federação de Agricultores Familiares (Fetagri) se alternaram na invasão da gleba.

SEM LAVOURA

Desde que entrou no lote, há dois anos, a assentada Delaine - que se identificou apenas com o nome - não fez lavoura. Mais da metade dos eucaliptos que cobriam a área de seis hectares foram cortados e vendidos. A supressão atingiu um trecho da mata ciliar de um córrego - área de proteção permanente. Ela paga R$ 15 por dia ao sem-terra Valderi Maike de Lucena para queimar carvão em dois fornos. "Rende uns 600 quilos cada fornada", diz ele. O carvão é vendido a R$ 0,80 o quilo. Lucena se inscreveu, mas não conseguiu o lote. "É que sou sozinho", justificou.

A assentada Luiza Felisbino Rodrigues, mãe de cinco filhos, bem que tentou fazer uma roça, mas a mandioca não cresceu e o feijão amarelou por falta de adubo. "A terra é fraca, um areião", descreveu.

O marido de Luiza negocia com um comerciante de Itu a venda do eucalipto de uma área de 24 mil metros quadrados. A renda pode chegar a R$ 30 mil. Os troncos retos e próprios para postes valem até R$ 200 a unidade.

A madeira fina para lenha sai a R$ 50 o metro. O corte, limpeza da casca e transporte ficam por conta do comprador.

TOLERÂNCIA

O Incra nacional proíbe fornos de carvão em assentamentos de reforma agrária, mas ali eles são tolerados pelos funcionários da autarquia. A atividade não tem licença ambiental.

O Incra de São Paulo informou ter autorizado as famílias a realizar o corte de madeira até o limite de um alqueire (o equivalente a 24,2 mil metros quadrados), reinvestindo o dinheiro da venda no lote.

De acordo com o órgão, a saída da madeira é fiscalizada e a aplicação dos recursos, também. O Incra alega ainda que tem entre 100 e 120 fornos de carvão no assentamento, mas são artesanais, de pequeno porte, para aproveitar as sobras de madeira. Cabe a cada assentado a regularização perante os órgãos ambientais.

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