segunda-feira, 19 de abril de 2010

Discernimento para parar


Se é verdade que a cada dia aprendemos um pouco mais do que a vida tem para nos ensinar, posso dizer que minha mais recente lição é de que a gente precisa estar preparado para desistir.
Muitas vezes, em nossas vidas, nos preparamos só para vencer, ultrapassar e se superar. Mas, há momento em que é preciso saber parar. Dar uma de Forrest Gump e decidir que já é hora de ir para casa, de interromper a jornada, de mudar de caminho.
Pois bem, confesso que essa é uma decisão para a qual pouco me preparei na vida. E é justamente a vida que tem me ensinado que nem tudo são flores ou um mar de rosas. Diariamente, ela vem, bate à nossa porta e desafia. Grita e diz: como é, vai ficar aí parada? Não vai tomar nenhuma atitude?
E, confesso, muitas vezes é exatamente isso que desejo fazer. Ficar parada, sem precisar tomar atitudes ou ter opiniões formadas sobre tudo.
Tenho vontade, mas é só isso. Nada de me aquietar. Mexo-me, sacudo a poeira e me desafio ainda mais. É assim que a vida segue que a energia circula e a fila anda.
Todos os dias temos que dar oportunidade para as oportunidades e fazer delas um caminho possível. É assim que penso e é isso que defendo. Mas, sabe como é. Nem tudo é da forma como desejamos e aí... Bom, aí, vem aquela hora de ‘estar preparado para desistir’.

É simples: você pode estar insistindo na história errada, dando trela para a amizade furada ou esperando demais dos outros. Então, meu caro, é hora de mudar de rumo. Pode até ser que você queira muito isso ou aquilo e acredite piamente que as coisas vão acontecer. Mas, aí, vêm as condições externas que piscam em néon na sua frente dizendo que está errado, que não vai dar certo, que uma hora as adversidades vão lhe engolir e você terá que sucumbir. Então, pare!
Descobri isso de uma forma bem simple: no meio de uma pista, numa BR do entorno do DF, em meio a uma prova de superação.
A verdade é que eu me preparei para essa prova, para me superar e concluí-la. Mas, não deu. Num momento em que eu me encaminhava para o desafio mais pesado da prova, em que o corpo já reagia à dor e ao cansaço, em que tudo dizia que a superação era apenas minha, corporal, eis que sou vencida pela mecânica da máquina.
Na pior das subidas, no pior dos trechos, fui vencida por um pneu. O pneu da minha bike!


Eu estava no meio da prova Audax, de superação, tentando vencer pela terceira vez os 200km de prova, quando meu pneu furou... Uma... Duas vezes seguidas e eu me vi vencida por uma condição que não estava em meus planos.
Já não havia câmera para repor, já não havia tempo para seguir em frente. O pneu furou no pior momento – em que todos os competidores também já estão exauridos e grande parte de seus equipamentos de reposição já foi consumida na maioria do percurso.
Houve um que me cedeu sua câmera de ar, O Magno, sou-lhe eternamente grata por isso. Na minha superação, consegui trocar o pneu da bike, com as mãos, sem nenhuma ferramenta a mais (detalhe, eu nunca havia trocado pneu furado de bike).
Faltava-me a bomba de ar para encher. Até essa, eu consegui e... Surpresa! Dez minutos depois, o pneu novamente furou. Nessa hora, absolutamente frustrada me convenci: é preciso estar prepara para desistir, me resignei e aí abandonei a prova.

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