sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Brasileiros estão mais altos e mais gordos, afirma estudo

Brasileiro está mais alto e mais gordo
Autor(es): ANGELA PINHO
Folha de S. Paulo - 20/11/2009

Estudo do Ministério da Saúde revela crescimento médio de 3 cm; IMC está próximo do limite considerado saudável

Especialistas consideram que o país está mudando o perfil nutricional, com a desnutrição em queda e o risco de obesidade em alta

Os brasileiros estão cada vez mais altos e mais gordos, revela um estudo do Ministério da Saúde divulgado ontem. De 1974 a 2003, a altura média dos homens passou de 1,67 m para 1,70 m e a das mulheres, de 1,55 m para 1,58 m.
Já o risco de obesidade cresceu principalmente entre crianças e adolescentes do sexo masculino com dez a 19 anos. O IMC (índice de massa corporal) médio, calculado a partir do peso e da altura, subiu no período para ambos os sexos.
O indicador mostra que, na média, os brasileiros estão dentro dos parâmetros considerados saudáveis, mas encontram-se em uma situação limite. O IMC médio está em 24,7 para as mulheres e em 24,6 para os homens. Quem tem 25 ou mais é considerado acima do peso. Acima de 30, obeso. Em 1974, o IMC médio dos homens era 22,4 e o das mulheres, 23,1.
Diante das conclusões, o Ministério da Saúde e especialistas já consideram que o país está diante de uma mudança no perfil nutricional da população, em que a desnutrição está dando lugar ao sobrepeso.
Uma pesquisa feita por telefone no ano passado já apontava que 43,3% dos moradores com mais de 18 anos das 27 capitais estavam acima do peso.
Por outro lado, cada vez menos crianças têm deficit de altura para a idade (a chamada desnutrição crônica), consequência atribuída pelo Ministério da Saúde à melhoria na renda da população, ao aumento da cobertura do Programa de Saúde da Família e ao maior índice de escolaridade das mães, entre outros fatores.
Tudo isso fez com que a desnutrição crônica caísse de 13,4%, em 1996, para 6,7% dez anos depois. "Com isso, as crianças puderam crescer com toda a sua potencialidade genética", afirma Deborah Malta, coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do ministério.
Tanto o aumento de altura quanto o de peso têm raízes no desenvolvimento do país e são fenômenos comuns a países que passam por um período de maior crescimento econômico, afirma Márcio Mancini, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) e médico do Hospital das Clínicas, onde é responsável pelo grupo de obesidade.
Em última instância, o aumento do sobrepeso decorre do fato de que os brasileiros estão se alimentado pior e se exercitando menos. A pesquisa feita pelo ministério no ano passado mostrou que 29,2% dos adultos das capitais não haviam feito nenhuma atividade física nos três meses anteriores.

Questão cultural
Mancini aponta que o problema está ligado também a questões culturais e urbanísticas. Por um lado, a proliferação de restaurantes fast food e de comidas industrializadas favorece a má alimentação, ligada ao fato de que brasileiros comem menos em casa. Por outro, cidades violentas, mal iluminadas e com pouco lazer favorecem o sedentarismo.

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