sábado, 7 de novembro de 2009

A história se repete nos gabinetes do poder...


e a história se repete. ao lado, um dos bilhetes do presidente Getulio Vargas doados ao Aqruivo Nacional, no Rio.

abaixo, matéria do Folha On Line
07/11/2009 - 10h45
Bilhetes inéditos de Getulio revelam nepotismo, solidão e controle do "Última Hora"
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CAIO BARRETTO BRISO
da Folha de S.Paulo, no Rio

Bilhetes recém-descobertos da última fase no poder de Getulio Vargas (1883-1954) revelam um presidente sufocado, atento a miudezas da administração e ao comportamento da imprensa, em especial do jornal criado por Samuel Wainer para apoiá-lo ("Última Hora").

A primeira parte dos bilhetes, de 1951, foi divulgada pela Folha em 24 de agosto deste ano. Já os bilhetes de 1954, aproximadamente 200, foram encontrados em setembro, sendo de teor inédito.


De compreensão razoável, a letra de Getulio está em cada um dos quase 700 bilhetes que o presidente escreveu para seu Chefe da Casa Civil, Lourival Fontes, em 51 e 54.

Cada bilhete, em papel já amarelado pelo tempo, traz a marca do período turbulento que Getulio viveu na sua volta ao Palácio do Catete, sede do governo federal quando o Rio era a capital do país, culminando com seu suicídio.

Neles, Getulio demonstra sua insatisfação com a imprensa ("Noto que os jornais (...) não publicam os numerosos atos (...) diariamente praticados pelo Poder Executivo"), preocupação com seus discursos ("Na fala de São Paulo, é preciso cortar esse trecho onde diz que o Brasil é um país pobre"), atos de nepotismo ("A viúva do senador Salgado Filho pede interferência (...) afim de que seu sobrinho (...) não seja exonerado") e sua influência no jornal "Última Hora", de Samuel Wainer, que apoiava seu governo ("Diga ao Wainer que a edição de hoje tem muito esporte"; "Pergunte ao Wainer se os temas do Mercado Municipal e do Tribunal de Contas já estão esgotados").

Ontem de manhã, Celina Vargas --neta de Getulio-- e Francisco Baptista Neto doaram os documentos ao Arquivo Nacional, no Rio. Os bilhetes foram guardados e mantidos sob sigilo desde 1967 pelo pai de Baptista Neto, o ex-governador sergipano Lourival Baptista, amigo de Fontes, que recebeu deste os documentos oficiais.

"Eles mostram um presidente atuante e atento a todos os assuntos do governo", diz Baptista Neto. "E mostram também que a ideia de que ele era um velho despreparado para governar, que a oposição tentou vender, é absurda", acrescenta Celina.

Em um dos últimos bilhetes, provavelmente um mês antes de seu suicídio, sob intensa pressão, ele desabafa: "Querem me aprisionar. Não sou prisioneiro de ninguém".

Exposição e livro

Baptista Neto, Celina Vargas e o Arquivo Nacional têm o projeto de, em um ano, montar uma exposição itinerante com todos os bilhetes e também com fotos de Getulio que integram o acervo iconográfico do Arquivo Nacional, além de editar um livro que contextualize os quase 700 bilhetes encontrados.

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