sábado, 7 de novembro de 2009

Morreu Anselmo Duarte

Anselmo Duarte Bento começou no cinema como molhador de tela, aos 10 anos de idade. No tempo das fitas mudas, o projetor ficava atrás da tela e a esquentava. Era preciso jogar água a cada dois rolos de filme para evitar incêndios.

Na infância, ele queria ser projecionista, como o irmão Alfredo. Essa experiência foi usada em um dos filmes de Duarte, "O Crime do Zé Bigorna", ambientado em 1928. Na trama, enquanto Charles Chaplin agitava a tela, Lima Duarte e Stênio Garcia a molhavam.

Seu primeiro trabalho como ator foi no filme inacabado de Orson Welles "It's all true" (1942). Duarte foi o maior galã do cinema brasileiro nos anos 1940 e 50, estrelando obras na Cinédia, na Atlântida e na Vera Cruz. Seu primeiro trabalho como diretor, "Absolutamente Certo" (1957), era uma comédia como aquelas que lhe deram fama como ator.

Em 1962, lançou "O Pagador de Promessas", o único filme brasileiro a receber o maior prêmio mundial do cinema, a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O jovem diretor venceu concorrentes que pertencem à história cinematográfica, como Luis Buñuel ("O anjo exterminador"), Michelangelo Antonioni ("O eclipse") e Robert Bresson ("O julgamento de Joana d'Arc").

Na premiação em Cannes, a embaixada brasileira em Paris não emprestou a bandeira do Brasil para o Festival. Depois de alguma confusão, Duarte teve de tomar uma bandeira emprestada, que tinha metade do tamanho oficial. Por isso, só foi hasteada a bandeira do vencedor, pois, caso as outras fossem abertas, ela destoaria.

De volta ao Brasil, os diretores do Cinema Novo moveram uma campanha que contra o "Pagador". "Fizeram de tudo para denegrir a minha conquista, que foi referendada em vários outros festivais naquele ano", conta Duarte. Segundo ele, a campanha se manteve com o filme seguinte, "Veredas da Salvação" (1964), duramente criticado na imprensa brasileira e elogiado no exterior, em especial no Festival de Berlim.

Como ator, um de seus filmes preferidos é "Sinhá Moça" (1953), de Tom Payne, no qual ele faz um belo discurso em favor da liberdade. Anselmo contracena com Eliane Lopes nessa história do século 19 de uma jovem que se apaixona por advogado e vive um grande drama de amor, numa época em que as idéias abolicionistas ganhavam força e eram violentamente combatidas. O filme, produção da Vera Cruz, ganhou o Prêmio Especial do Júri, em Veneza. A atuação de Anselmo também foi elogiada no papel do compositor Zequinha de Abreu, em "Tico-Tico no Fubá" (1952).

Dos filmes feitos na Cinédia, o destaque é "Pinguinho de Gente" (1947). Na Atlântida, Duarte atuou e refez o roteiro de "Carnaval no Fogo", do diretor Watson Macedo. Foi também ator em "Independência ou Morte" (1972).

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por katia maia Com meus filhos crescidos, adultos e já homens feitos, não preciso mais pautar minhas idas ao cinema aos horários, ses...