quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vale a reflexão...

Euforia com Brasil é "injustificável", diz ex-economista do Banco Mundial
Autor(es): Daniel Rittner
Valor Econômico - 12/11/2009



O clima de euforia com o Brasil é "totalmente injustificado" e o país tem poucas chances de tornar-se uma potência econômica. A avaliação foi feita ontem pelo professor da Universidade da Califórnia (UCLA) e ex-economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, Sebastian Edwards, durante um seminário em Buenos Aires. "O entusiasmo dos investidores reflete uma percepção de curto prazo, mas o Brasil não manterá esse desempenho sem uma revolução produtiva e de inovação. E, sinceramente, não vejo nem Dilma Rousseff nem José Serra com capacidade política de liderar esse processo", comentou Edwards.

O economista se diz preocupado com o reflexo do real forte para as contas externas brasileiras, mas sua principal ressalva é sobre o médio e longo prazos no Brasil. "A dinâmica do crescimento econômico não tem mistério, qualquer estudante pode entender. É o resultado de maior produtividade e de inovação. No Brasil, a qualidade da educação é deplorável e os obstáculos burocráticos aos investimentos ainda são enormes."

A desconfiança de Edwards contrastou com o otimismo, pelo menos no curto prazo, do economista-chefe do Citigroup para a América Latina, Alberto Ades. Ele projeta expansão de 5% para a economia brasileira em 2010, inflação de 4% e superávit comercial de US$ 14 bilhões. Ao contrário de muitos de seus colegas, Ades não vê problemas cambiais e sustenta que o "ponto de equilíbrio" do real é entre R$ 1,55 a R$ 1,60 por dólar.

"Mesmo com um crescimento forte, o déficit em conta corrente não deverá ultrapassar 2,2% do PIB, o que não é muito", disse o economista do Citi, que participou da conferência anual da Federação de Investigações Econômicas Latino-Americanas (Fiel).

Ades prevê um suave aumento da inflação nos países latino-americanos a partir do segundo trimestre de 2010, como reflexo do afrouxamento monetário e da expansão econômica, e acredita que os bancos centrais responderão com aumentos das taxas de juros na região. Países como Peru, México e Colômbia deverão subir os juros. No Chile, ele estima alta de três pontos percentuais. No Brasil, aposta em pelo menos dois pontos percentuais. "A inflação será o grande desafio para os bancos centrais da região porque aumentará ainda mais a diferença entre as suas taxas de juros e os juros dos países ricos", disse Ades.

Para ele, o problema não será o freio da atividade econômica com o aperto monetário, mas o aumento das operações de "carry trade", colocando ainda mais pressão nas moedas sul-americanas, principalmente no real e no peso chileno. Para o fim de 2010, ele vê o dólar a R$ 1,65.