sexta-feira, 27 de novembro de 2009

China põe número na mesa para Copenhague

Autor(es): RAUL JUSTE LORES
Folha de S. Paulo - 27/11/2009

A China anunciou que vai cortar de 40% a 45% de suas emissões de CO2, em relação ao tamanho do PIB até 2020, ante o total de 2005.

O primeiro-ministro Wen Jiabao irá à conferência de Copenhague. Em 2008, a China superou os EUA como maior emissor.

Maior poluidor atual diz que cortará de 40% a 45% de CO2 por unidade de PIB

Anúncio foi feito um dia depois de Barack Obama declarar meta dos EUA; premiê Wen Jiabao irá à cúpula do clima da ONU


A China anunciou ontem que reduzirá entre 40% e 45% de suas emissões de dióxido de carbono por unidade do PIB até 2020, comparado com as emissões em 2005. Isso significa que o país "apenas" dobrará suas emissões no período, em vez de triplicá-las.
O governo também divulgou que o primeiro-ministro, Wen Jiabao, irá à Conferência de Copenhague no mês que vem. A China superou os EUA no último ano como maior emissor.
Negociadores europeus e americanos pressionavam a China para cortar pelo menos 50%. Mas, pelo lado chinês, o argumento é que o país faz muito mais do que os países desenvolvidos quando estavam em um estágio de desenvolvimento similar ao da China.
A renda per capita chinesa, de US$ 3.500, é inferior a 10% da renda per capita de países como EUA, Japão e França. As emissões chinesas per capita são de 5,7 toneladas de CO2, contra 19 dos EUA.
"Esta é uma atitude voluntária do governo chinês, baseada em suas próprias condições, e é uma contribuição maior ao esforço global de conter a mudança climática", disse, em comunicado, o Conselho de Estado, o gabinete chinês.
A decisão da ida de Jiabao a Copenhague acontece um dia depois do anúncio de que o presidente dos EUA, Barack Obama, irá à cúpula e apresentará uma meta de 17% de corte de emissões em relação a 2005.
China e EUA respondem juntos por 40% das emissões mundiais, e até agora não haviam se comprometido com metas de corte. Sem os dois países, qualquer acordo do clima está fadado ao fracasso.
"O compromisso dos EUA com metas de corte de emissões e o da China com ação específica em eficiência energética podem destravar duas das últimas portas para um acordo amplo", elogiou ontem Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU.
O porta-voz da Chancelaria chinesa, Qin Gang, disse ontem que "a presença de Wen em Copenhague mostra a importância que o governo dá a esse assunto e mostra a vontade do governo em cooperar com a comunidade internacional".
O premiê Wen, que é geólogo de formação, dirige o grupo que estuda mudança climática no gabinete chinês. Segundo nome na hierarquia do regime comunista, Wen é para muitos o político mais popular da China.
"Gostaríamos que o presidente Hu Jintao estivesse lá porque ele tem mais poder de decisão", afirmou Yang Ailun, do Greenpeace em Pequim.
A meta chinesa implica a adoção de mais energias renováveis, a substituição de velhas usinas e até taxas sobre o carbono. Setenta e cinco por cento da energia na China ainda provém da queima de carvão.
O comunicado do gabinete chinês também diz que, até 2020, o país investirá em energias renováveis para assegurar que pelo menos 15% de consumo energético chinês seja de energias não-fósseis.