segunda-feira, 30 de novembro de 2009

dinheiro na cueca



Vídeo obtido em primeira mão pelo iG mostra o empresário Alcir Collaço, proprietário do jornal Tribuna do Brasil, recebendo este ano R$ 30 mil do ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa, na sede da Secretaria de Assuntos Institucionais.

Oremos...



E assim oram os fiéis de Arruda.

E agora José? Da série recordar é viver...



vídeo bem lembrado pelo André Moura, de Bsb.
Realmente. E agora, José?

Arruda por Arruda. As duas faces de um nome








Geisy Arruda foi hostilizada na Uniban por mostrar mais do que deveria - na avaliação de estudantes preconceituosos.Aliás, ela foi quase linchada por mostrar o que era e ser transparente na forma como acreditava estar OK.
Zé roberto Arruda, não. Este - segundo investigação da PF - escondeu, fez por debaixo dos panos, mentiu! Agora se diz perplexo, que é vítima, que foi chantageado.
Arrruda por Arruda, fico com a Geisy!

fazendo as contas...

Se estiver correta a versão do governador para o uso do dinheiro recebido em espécie em 2006, a população carente do Distrito Federal recebeu naquele ano 3.333 panetones - considerando que um panetone de marca popular custa em torno de R$6.

Comando do DF pode cair em mãos petistas

Autor(es): Felipe Recondo
O Estado de S. Paulo - 30/11/2009

O desenrolar da crise política no Distrito Federal pode levar a Câmara Legislativa - que tem um terço de seus integrantes também envolvidos no escândalo de corrupção - a escolher o novo governador. É isso que determina a Lei Orgânica do Distrito Federal e a Constituição. Mas, se os cargos demorarem a ser desocupados, o governo do DF poderá "cair no colo" do PT.

A depender do caminhar da crise, José Roberto Arruda pode se ver obrigado a renunciar ao mandato. O vice, Paulo Octávio, assumiria. Ocorre, porém, que o inquérito da Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora indica também o envolvimento do vice-governador.

Segundo informações de um relatório de inteligência da PF, Paulo Octávio receberia 30% da propina arrecadada pela empresa Infoeducacional. Nesse caso, o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), assumiria o cargo. Mas ele também é investigado.

Na sequência dessa cadeia sucessória, assumiria o vice-presidente da Câmara, deputado Cabo Patrício (PT). Ele teria 90 dias para convocar novas eleições. Mas se as vagas de governador e vice só forem abertas em 2010, a menos de um ano do fim dos mandatos, Cabo Patrício ficará no cargo até o fim do governo, conforme determina a Lei Orgânica do DF: "Em caso de impedimento do governador e do vice-governador do Distrito Federal, ou vacância dos respectivos cargos no último ano do período governamental, serão sucessivamente chamados para o exercício, em caráter definitivo no caso de vacância, o presidente da Câmara Legislativa, o vice-presidente da Câmara Legislativa e o presidente do Tribunal de Justiça."

Desde 2003, o governo do Distrito Federal é ocupado por adversários políticos do PT. Em 2002, foi eleito Joaquim Roriz, que pertencia ao PMDB na época.

Nas últimas eleições, Arruda foi eleito para o governo. Roriz foi eleito para o Senado e obrigado a renunciar para se livrar de um processo de cassação, já que foi flagrado em gravação telefônica negociando a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões que pertencia ao empresário Nenê Constantino.

Anotações esquecidas em TV dão rota do esquema

O Estado de S. Paulo - 30/11/2009

O Ministério Público do Distrito Federal tem em mãos desde meados do ano passado documentos com indícios de prática de caixa 2 e coleta e distribuição de propinas envolvendo o governador José Arruda (DEM-DF), secretários, deputados distritais e empresários. A prática era tão corriqueira que, logo após a posse de Arruda, em janeiro de 2007, o secretário de Obras, Márcio Machado, esqueceu em uma emissora local de TV três documentos - uma espécie de roteiro da corrupção mapeada agora pela Operação Caixa de Pandora.

Márcio Machado foi à emissora para dar uma entrevista. Atendeu a um telefonema ao fim da gravação, tirou do paletó três papéis, consultou-os e saiu sem levá-los. Os documentos foram parar no Ministério Público.

Os manuscritos listam quatro dezenas de empresas, quanto foi coletado para a campanha e como o bolo era rateado. Pelas anotações, Paulo Octávio pegou R$ 200 mil para quitar despesas com o dinheiro desse saldo de arrecadação de caixa 2 e o assessor Fábio Simão, outros R$ 200 mil.

Recordar é viver...

memória...


O problema de Arruda é de credibilidade: em 2000, o então senador do PSDB e líder do governo Fernando Henrique Cardoso subiu à tribuna do Senado para declarar inocência no episódio da quebra do sigilo da votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão. Jurou inclusive pela família. No dia seguinte voltou à tribuna para confessar o crime e se desculpar. Em 2002 foi o deputado federal mais votado do DF.

Lembram-se da frase de Arruda?

"Gente, eu errei, eu não quero ser igual aos outros políticos que erram e ficam mentindo.Então vou falar a verdade logo, eu vi mesmo a lista. Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos.”

José Roberto Arruda, na tribuna do Senado, em maio de 2000, chorando e renunciando ao mandato, depois da quebra do sigilo do painel na votação secreta que cassou Luiz Estevão

CORRUPÇÃO DOCUMENTADA

De O Globo
Presidente do TSE diz que imagens de Arruda recebendo dinheiro revelam indícios do crime


A cena do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), recebendo um maço de dinheiro em plena campanha eleitoral, em 2006, é um forte indício da prática do crime de caixa dois - ou seja, o uso de dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral. A avaliação é de dois ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): o presidente, Carlos Ayres Britto, e um dos ministros substitutos, Marco Aurélio Mello, que em 2010 assumirá uma cadeira de titular na Corte. Ambos também integram o Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Arruda alega que era doação de campanha.

Ayres Britto lembrou que a Lei Eleitoral não permite doações em dinheiro vivo: as contribuições para campanhas devem passar por contas bancárias, exatamente para evitar o caixa dois.

- Dinheiro gasto para fins eleitorais tem que passar pelas contas dos partidos, ou dos comitês, ou dos candidatos. Em alguns casos, pelas três contas. A lei exige a identificação do dinheiro, a fonte, o valor, o destino. Na lei, é tudo às claras, para evitar o caixa dois - disse, completando: - Fui avisado, não vi as imagens do "Jornal Nacional". Mas tem cara de caixa dois.

A imagem foi veiculada no sábado pelo "Jornal Nacional", da TV Globo. Era agosto de 2006 e Arruda estava em campanha para o governo. O então candidato estava no gabinete de Durval Barbosa Rodrigues - que, à época, era presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan, empresa do governo). Durval entregou um maço de cédulas para o candidato e, em seguida, outros maços para Omézio Pontes, assessor de imprensa de Arruda.


"Haja panetone!", reage Ayres Britto

Ayres Britto costuma defender, em discursos e em entrevistas, a escolha de bons candidatos nas urnas. Ontem, ele se mostrou decepcionado com a situação da política em Brasília.

- Os políticos não estão correspondendo à magnitude da política. A política é tão bonita... - lamentou.
O advogado do governador, José Gerardo Grossi, disse à TV Globo que o dinheiro foi usado para comprar panetones para crianças carentes em 2006. Ontem, Grossi não quis dar entrevista. Quando foi informado da versão dos panetones, Ayres Britto estranhou:

- Haja panetone!

O ministro Marco Aurélio Mello disse que é preciso aguardar o fim das investigações, mas vê indícios da prática de caixa dois na imagem de Arruda pegando o maço de dinheiro.

- A Lei Eleitoral exige prestação de contas. Há dados que revelam indícios, mas temos que esperar - disse.

Marco Aurélio Mello declarou ter ficado decepcionado ao ler as notícias sobre o suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal:

- Que coisa triste, né? Todos nós estamos estarrecidos. Um governador que, na área administrativa, tem empreendido obras... Todos nós estamos de queixo caído. Quando mais pensamos que houve esgotamento dos escândalos, acontece algo pior. Mas sou um homem otimista. Toda vez que se surpreende um agente público em desvio de conduta, isso alerta os demais governantes e puxa os freios inibitórios.

As imagens de Arruda estão incluídas no inquérito que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para investigar esquema de desvios de dinheiro do governo do Distrito Federal. Para a apuração ser transformada em processo e Arruda, em réu, é preciso uma autorização da Câmara Legislativa. A possibilidade de isso acontecer é pequena, já que o governador tem apoio de ampla maioria dos parlamentares locais - 19 dos 24.

Para Marco Aurélio, essa regra deveria ser derrubada - assim como foi banida a autorização obrigatória do Congresso para haver abertura de processo contra deputados e senadores. Em sessão recente no STF, Marco Aurélio chegou a defender a tese, mas o julgamento não chegou ao fim.

- É inconstitucional a norma que prevê necessidade de licença para o governador ser processado criminalmente. Já houve mudança no sistema e não há mais necessidade de licença para deputados e senadores. Não faz sentido um órgão estadual limitando a atuação de um órgão federal. Geralmente, o governador tem maioria na Assembleia. Fica fácil não conceder licença - afirmou ontem.

O TSE poderá investigar se houve mesmo caixa dois na campanha de Arruda, se o Ministério Público ou partidos políticos entrarem com uma reclamação na Corte.

À noite, Arruda e o vice-governador Paulo Octávio divulgaram nota em que se dizem "perplexos pelo ato de torpe vilania" de que se dizem vítimas, por parte de alguém que, "até recentemente, se mostrava um colaborador". Em tom indignado, eles afirmam que são vítimas de trama "engendrada por adversários políticos" baseada no depoimento de uma pessoa em busca de benesses da delação premiada por atos que praticou nos oito anos do governo anterior. De acordo com a nota, a denúncia é uma "versão mentirosa dos fatos para tentar manchar o trabalho sério e bem sucedido que tem sido feito pela nossa administração".

Apesar da posição de seu próprio partido, o DEM, que já trabalha com a hipótese de expulsá-lo, Arruda afirma que tanto ele quanto seu vice estão tranquilos. "Sabemos de nossa inocência, e confiamos no sereno e isento trabalho da Justiça de nosso país, onde a verdade sempre acaba se afirmando", dizem, em nota. Eles afirmam ainda que repelem "os açodados juízos que, muito mais que atingir o princípio constitucional da presunção de inocência, colocam em risco a soberania da verdade democrática".


Segundo o corregedor-geral do Distrito Federal, Roberto Giffoni, o governador não vai se licenciar do cargo ou renunciar. Sobre a imagem que foi ao ar no sábado, Giffoni afirmou ser verba de campanha, devidamente registrada na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Ele não apresentou esse documento à imprensa.

- A hipótese de ele deixar o cargo jamais foi colocada - disse Giffoni.

Giffoni atacou Durval Barbosa, o delator de todo o esquema:

- Para uma pessoa que responde a 30 processos, delação premiada é um oásis. Ele conduzia as conversas da maneira que o beneficiava.

domingo, 29 de novembro de 2009

Nota 'PERPLEXOS'. ARRUDA E PO

Ainda perplexos pelo ato de torpe vilania de que fomos vítimas por parte de alguém que, até recentemente, se mostrava um colaborador, vimos externar à população do Distrito Federal nossa indignação pela trama de que estamos sendo vítimas"
“Ainda perplexos pelo ato de torpe vilania de que fomos vítimas por parte de alguém que, até recentemente, se mostrava um colaborador, vimos externar à população do Distrito Federal nossa indignação pela trama de que estamos sendo vítimas”, diz a nota.

Segundo Arruda e Paulo Octávio, eles são vítimas de adversários políticos, que se valem apenas das acusações do seu ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que estaria apenas em busca dos benefícios da delação premiada.

“Estamos sendo vítimas de uma trama engendrada por adversários políticos,valendo-se de pessoa que, à busca das benesses da delação premiada, por atos que praticou nos 8 anos do governo anterior, urdiu, de forma capciosa e premeditada, versão mentirosa dos fatos para tentar manchar o trabalho sério e bem sucedido que tem sido feito pela nossa administração”, diz outro trecho da nota.

O governador e o vice expressam ainda que estão tranquillos, “porque sabemos de nossa inocência, e confiamos no sereno e isento trabalho da Justiça de nosso
país, onde a verdade sempre acaba se afirmando”.



saiba mais
DEM aguarda manifestação de Arruda para se pronunciar, diz nota Ouça a gravação que mostraria Arruda negociando divisão de dinheiro no DF Imagens mostram Arruda recebendo dinheiro, quando ainda era candidato DEM afirma ter 'confiança' em Arruda, governador do DF
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DEM e OAB

A direção do DEM, partido de Arruda, deve se reunir nesta segunda-feira (30) com ele para ouvir suas explicações e definir seu futuro dentro da legenda. A reunião ainda não tem horário definido. Arruda é único governador do partido.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se reúne amanhã para analisar se ingressa ou não com pedido de impeachment contra o governador por conta das denúncias apresentadas pela Polícia Federal.

Veja íntegra da nota:

"NOTA DO GOVERNADOR JOSÉ ROBERTO ARRUDA E DO VICE-GOVERNADOR PAULO OCTÁVIO



Ainda perplexos pelo ato de torpe vilania de que fomos vítimas por parte de alguém que, até recentemente, se mostrava um colaborador, vimos externar à população do Distrito Federal nossa indignação pela trama de que estamos sendo vítimas, engendrada por adversários políticos, valendo-se de pessoa que, à busca das benesses da delação premiada, por atos que praticou nos 8 anos do Governo anterior, urdiu, de forma capciosa e premeditada, versão mentirosa dos fatos para tentar manchar o trabalho sério e bem sucedido que tem sido feito pela nossa Administração.


Queremos dizer que estamos tranqüilos, porque sabemos de nossa inocência, e confiamos no sereno e isento trabalho da Justiça de nosso País, onde a verdade sempre acaba se afirmando.


Repelimos os açodados juízos que, muito mais que atingir o princípio
constitucional da presunção de inocência, colocam em risco a soberania
da verdade democrática."

A imagem! Arruda pega dinheiro para Panetone!

Agora, a debandada geral!

Após escândalo, PPS decide deixar o governo Arruda

Do Blog do Josias

A direção do partido determinará a todos os filiados que ocupam cargos na gestão de José Roberto Arruda (DEM) que se exonerem.O posto mais relevante confiado por Arruda ao PPS é a secretaria de Saúde do GDF. Ocupa-o o deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF).
Na última segunda-feira (23), Augusto retomou o seu mandato de deputado.Voltou à Câmara por uma semana, só para apresentar dois projetos de lei (aqui e aqui).
Seu retorno à secretaria de Saúde estava previsto para esta segunda (30). Na sexta (27) estourou o caso do 'Demensalão', o mensalão do DEM.
Na curta ausência de Augusto, a pasta da Saúde do GDF foi tocada pelo secretário adjunto Fernando Antunes, também filiado ao PPS.
Deve-se a decisão de desembarcar o PPS do governo Arruda ao presidente nacional da legenda, o ex-deputado Roberto Freire (PE).
Para Freire, as evidências de corrupção na gestão Arruda impedem que o PPS continue colaborando com o governo do DF.
Na noite passada, Freire trocou idéias sobre o escândalo do GDF com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Jungmann encontra-se em Tegucigalpa. Foi à capital de Honduras como observador das eleições presidenciais que ocorrerão neste domingo (29).
Tomara conhecimento da confusão que eletrifica a cena política brasiliense pela web. Impressionado, decidiu tocar o telefone para Freire.
Segundo disse Jungmann ao blog, o rompimento do PPS com Arruda será formalizado em reunião da Executiva do PPS, nesta semana.
Além do PPS, integram o governo Arruda o DEM, partido do governador, e o PSDB, parceiro da tribo ‘demo’ no Congresso Nacional e na sucessão presidencial.
O tucanato, por ora, não se manifestou sobre os descaminhos de seu aliado no DF.
Quanto ao DEM, revelou-se aturdido com a implosão da gestão de Arruda, o único governador que a legenda conseguiu eleger.
Na última sexta, dia em que Arruda foi às manchetes em situação vexatória, os ‘demos’ esboçaram apoio ao governador.
José Agripino (RN), líder do DEM no Senado, dissera: "Não conheço as denúncias, sei que é sobre licitações envolvendo os secretários...”
“...Portanto, até que surjam fatos posteriores, o partido mantém a confiança no seu governador".
O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, ecoara Agripino: "O STJ está fazendo as investigações e vamos esperar essas apurações...”
“...Temos a total confiança no governador Arruda [...]. Nos estranha a posição da Polícia Federal dias depois de o presidente Lula pedir para que ela tenha operações com mais cuidado".
Na virada do sábado (28) para o domingo (29), o DEM levou ao seu portal na internet uma nota vazada em timbre menos condescendente:
“As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda exigem esclarecimentos convincentes...”
“...O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar”.
O texto é assinado por três grão-demos: o presidente Rodrigo Maia e os líderes Agripino (Senado) e Ronaldo Caiado (Câmara).
Arruda não deu, por enquanto, um mísero pio. Alegou que só falaria depois de conhecer o teor do inquérito que perscruta sua administração.
O processo já é, a essa altura, coisa conhecida à farta. Relator do caso, o ministro Fernando Gonçalves, do STJ, levantou o sigilo das peças.
São seis calhamaços –três volumes (aqui, aqui e aqui) e três apensos (aqui, aqui e aqui).
A demora de Arruda já não encontra amparo no desconhecimento. O governador apenas tenta construir explicações para o inexplicável.
Escrito por Josias de Souza às 05h46

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Indústria de eletrodomésticos já faz três turnos

Natal deve ser o melhor da década
Autor(es): Márcia De Chiara
O Estado de S. Paulo - 27/11/2009

O Natal deste ano será o maior da década. O faturamento real do comércio em dezembro deste ano, já descontada a inflação, deve atingir R$ 91,9 bilhões, segundo projeções da MB Associados feitas com base na Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acréscimo de vendas esperado para dezembro, comparado com o mesmo mês de 2008, é de R$ 10,4 bilhões. É uma cifra dez vezes maior que a expansão na receita das lojas registrada em dezembro do ano passado, que foi de apenas R$ 978 milhões em relação ao ano anterior.


Benefícios fiscais, como isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para vários setores, como automóveis, geladeiras, máquinas de lavar, materiais de construção e, agora, móveis, combinados com aumento do salário do funcionalismo público, do Bolsa-Família e a política monetária mais frouxa, sustentam o maior Natal da década, explica o economista-chefe da consultoria e responsável pela projeção, Sergio Vale. "Mas o fator preponderante para a ampliação do consumo de Natal é a política fiscal", ressalta o economista.

"Vai vender tudo neste Natal", prevê o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. Isso significa que, depois de vários Natais da "lembrancinha", este poderá ser também o Natal dos presentes de maior valor.

O economista da ACSP faz essa previsão com base em dados deste mês. Na primeira quinzena de novembro, pela primeira vez no ano, o número de consultas para vendas a prazo cresceu em relação a igual período do ano passado. O acréscimo foi de 0,7%, mas indica uma mudança importante na tendência, pois até outubro só houve quedas ante 2008.

Entre as vendas a prazo e à vista, que praticamente não foram afetadas neste ano, Alfieri diz que a entidade espera um acréscimo entre 5% e 6% no número de consultas em dezembro, em relação ao mesmo mês de 2008. "Neste ano, as vendas a prazo e à vista no Natal estarão equilibradas", diz.

Ele lembra que no Natal de 2008 houve crescimento apenas nas compras à vista porque os financiamento foram afetados com a crise de crédito, que provocou redução de prazos de pagamento e subida dos juros.

Neste ano, no entanto, a situação é exatamente inversa: as lojas alongaram os prazos, inclusive das vendas anunciadas sem juros. Grandes redes varejistas anunciam os produtos em 17 vezes sem acréscimo, quando, no ano passado, esse prazo não passava de 10 vezes.

O otimismo do comércio não se restringe aos itens beneficiados pela queda do IPI e pelas condições facilitadas de pagamento. Por causa do aumento da renda e do emprego, alimentos e bebidas estão na lista dos produtos que vão ter um grande crescimento de vendas neste fim de ano. Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostra que os supermercadistas esperam para este ano um acréscimo de 7,8% nas vendas em dezembro, na comparação com as do Natal de 2008. Segundo a enquete, 85% dos supermercados ampliaram as encomendas de produtos para as festas de fim de ano e só 3% reduziram os pedidos.

De acordo com Vale, da MB, o aquecimento do consumo, iniciado em meados deste ano, deverá atingir o pico no segundo semestre de 2010. Ele projeta que, em agosto do ano que vem, o acréscimo no faturamento do varejo acumulado em 12 meses será de R$ 103 bilhões, voltando ao topo atingido em meados de 2008. Para o economista, esse movimento poderá despertar a inflação mais cedo do que se

China põe número na mesa para Copenhague

Autor(es): RAUL JUSTE LORES
Folha de S. Paulo - 27/11/2009

A China anunciou que vai cortar de 40% a 45% de suas emissões de CO2, em relação ao tamanho do PIB até 2020, ante o total de 2005.

O primeiro-ministro Wen Jiabao irá à conferência de Copenhague. Em 2008, a China superou os EUA como maior emissor.

Maior poluidor atual diz que cortará de 40% a 45% de CO2 por unidade de PIB

Anúncio foi feito um dia depois de Barack Obama declarar meta dos EUA; premiê Wen Jiabao irá à cúpula do clima da ONU


A China anunciou ontem que reduzirá entre 40% e 45% de suas emissões de dióxido de carbono por unidade do PIB até 2020, comparado com as emissões em 2005. Isso significa que o país "apenas" dobrará suas emissões no período, em vez de triplicá-las.
O governo também divulgou que o primeiro-ministro, Wen Jiabao, irá à Conferência de Copenhague no mês que vem. A China superou os EUA no último ano como maior emissor.
Negociadores europeus e americanos pressionavam a China para cortar pelo menos 50%. Mas, pelo lado chinês, o argumento é que o país faz muito mais do que os países desenvolvidos quando estavam em um estágio de desenvolvimento similar ao da China.
A renda per capita chinesa, de US$ 3.500, é inferior a 10% da renda per capita de países como EUA, Japão e França. As emissões chinesas per capita são de 5,7 toneladas de CO2, contra 19 dos EUA.
"Esta é uma atitude voluntária do governo chinês, baseada em suas próprias condições, e é uma contribuição maior ao esforço global de conter a mudança climática", disse, em comunicado, o Conselho de Estado, o gabinete chinês.
A decisão da ida de Jiabao a Copenhague acontece um dia depois do anúncio de que o presidente dos EUA, Barack Obama, irá à cúpula e apresentará uma meta de 17% de corte de emissões em relação a 2005.
China e EUA respondem juntos por 40% das emissões mundiais, e até agora não haviam se comprometido com metas de corte. Sem os dois países, qualquer acordo do clima está fadado ao fracasso.
"O compromisso dos EUA com metas de corte de emissões e o da China com ação específica em eficiência energética podem destravar duas das últimas portas para um acordo amplo", elogiou ontem Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU.
O porta-voz da Chancelaria chinesa, Qin Gang, disse ontem que "a presença de Wen em Copenhague mostra a importância que o governo dá a esse assunto e mostra a vontade do governo em cooperar com a comunidade internacional".
O premiê Wen, que é geólogo de formação, dirige o grupo que estuda mudança climática no gabinete chinês. Segundo nome na hierarquia do regime comunista, Wen é para muitos o político mais popular da China.
"Gostaríamos que o presidente Hu Jintao estivesse lá porque ele tem mais poder de decisão", afirmou Yang Ailun, do Greenpeace em Pequim.
A meta chinesa implica a adoção de mais energias renováveis, a substituição de velhas usinas e até taxas sobre o carbono. Setenta e cinco por cento da energia na China ainda provém da queima de carvão.
O comunicado do gabinete chinês também diz que, até 2020, o país investirá em energias renováveis para assegurar que pelo menos 15% de consumo energético chinês seja de energias não-fósseis.

Desonerar PF para estimular o consumo. Nem pensar!

Essa semana, pode-se dizer, foi a semana das desonerações. Por dois dias seguidos, o ministro da fazenda, Guido Mantega, convocou a imprensa para anunciar desoneraç~eos em vários setores produtivos da economia. A iniciativa visa estimular ainda mais o consumo principalmente em período tão fértil para as compras como assim o é o fim de ano.
A desoneração, sem dúvida reflete no consumo. Veja-se o aumento de vendas de automóveis que este ano registrou um incremento e o BRasil aparece entre os três países que conseguiram essa façanha em tempos de crise global. A verdade é que brasileiro adora uma promoção e quase que instintivamente se lança ás compras sem imaginar que a desoneração não significa necessáriamente que tenhamos que comprar.
Será que agora as vendas de móveis vão também dar um salto? Tenho certeza que sim. Brasileiro é assim.
A verdade (também) é que brasileiro odeia pagar imposto. Agora, por que não desonerar os tributos que pagamos diretamente em nossa folha de pagamento. Também nesse caso sobraria mais dinheiro para o consumo. Ouvi de um analista que os automoveis ganharam primeiro a desoneração devido à forte pressão que sabem fazer em Brasília.
É concordo com essa leitura. Lobby é lobby em quanlquer lugar e ganha seu espaço sempre que bem feito. Agora, desonerar a Pessoa Física depende de um lobby de uma parcela da população chamada povo e, principalmente classe média - grande pagadora de impostos. alguém já viu povo fazer lobby e se dar bem? raríssimas vezes funcionou.
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Governo quer livrar Infraero de licitações

Da Folha de são Paulo
Alegação é que será preciso acelerar obras nos aeroportos das cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014

Modificação, que igualaria estatal à Petrobras, pode ser feita por medida provisória; Infraero poderá também contratar mais engenheiros

VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Diante da tendência de engavetar o plano de privatização de aeroportos, o governo Lula estuda dar mais poderes à Infraero para garantir a conclusão das obras em terminais e pistas antes da Copa de 2014.
A principal medida, discutida em reunião ministerial anteontem, é criar um regime especial de contratação de bens e serviços para a estatal, responsável pela administração dos aeroportos brasileiros.
Com isso, ela não teria de seguir a Lei de Licitações 8.666, que estabelece regras rígidas para a contratação de obras e serviços pelo setor público, seguindo o mesmo modelo adotado na Petrobras.
Na avaliação do governo, essa legislação torna o processo de licitação muito lento e engessa etapas da administração de contratos, o que poderia colocar em risco a execução das obras nos 16 aeroportos de cidades-sede da Copa do Mundo.
Para fazer a mudança, o governo terá de alterar a lei de criação da Infraero, incluindo a regra especial de contratação de bens e serviços no seu estatuto. A modificação pode ocorrer também por meio de medida provisória. A justificativa seria o caráter de urgência das obras para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Rio.
Além disso, o governo deve também autorizar a Infraero a elevar o salário de engenheiros, hoje na casa de R$ 3.000, para admitir profissionais que possam elaborar projetos básicos de engenharia. Hoje, a maior parte desses projetos -etapa necessária antes de licitar uma obra- é contratada de empresas privadas. Se passar a executá-los internamente, a estatal acha que ganhará em custos e reduzirá prazos de elaboração.
A ideia de fortalecer a Infraero surgiu porque o governo avalia que não há tempo suficiente para privatizar aeroportos e concluir as obras para a Copa. Ou seja, a estatal seria a melhor solução para tocar os projetos.
A proposta de livrar a Infraero da Lei de Licitações deve receber críticas da oposição pelo histórico da estatal. Logo após o apagão aéreo, o TCU (Tribunal de Contas da União) fez auditoria na empresa e apontou uma série de irregularidades na execução de obras, como suspeitas de superfaturamento.
Para contornar esse conflito com o tribunal, a Infraero buscou estabelecer uma parceria com o TCU para avaliar projetos antes de sua execução.

Queixas da 8.666
A Lei de Licitações é alvo de reclamações desde o governo FHC. As queixas se acentuaram com Lula. O petista costuma dizer que não conhece um brasileiro que não queira mudar essa lei por, no seu entendimento, travar os projetos do país.
Elaborada após o processo de impeachment do presidente Fernando Collor como reação às acusações de corrupção, a 8.666 é apontada hoje por empresários e políticos como uma legislação que precisa ser atualizada por criar vários entraves à contratação de obras.
A Petrobras foi dispensada de seguir essa legislação no governo FHC sob o argumento de que compete no campo internacional com outras empresas e perderia competitividade se tivesse que obedecer à 8.666.
Tramita no Congresso projeto para modificá-la, mas o governo não acredita que será possível aprová-lo nessa reta final de mandato por conta da eleição presidencial.
Recentemente, o próprio TCU sugeriu a aprovação de uma lei criando um estatuto jurídico das empresas de economia mista, públicas e suas subsidiárias, o que as retiraria da alçada da Lei de Licitações. Aprovada essa lei, a Infraero seria beneficiada.
A sugestão foi feita para defender o tribunal das críticas feitas pelo governo federal, que acusa o órgão de paralisar licitações e obras e dificultar o andamento de projetos.
Segundo o tribunal, ele apenas segue a legislação que está em vigor no país e é sua obrigação fiscalizar o setor público.

Investimentos
A estatal entregou nesta semana ao governo seu último cronograma de obras, prevendo investimentos que totalizam R$ 4,7 bilhões em 15 aeroportos da Copa. A conclusão das obras aconteceria entre 2012 e 2014. Os dois maiores projetos são dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, ambos em São Paulo.

sábado, 21 de novembro de 2009

A construção de um mito

Da Revista Veja
Diego Escosteguy e Otávio Cabral

Luiz Inácio Lula da Silva, o mais improvável dos presidentes brasileiros, já entrou na história antes de sair da vida. Lula, o filho do sertão pernambucano que comia feijão com farinha sob o árido sol de Garanhuns antes de se tornar engraxate nas ruas do Sul Maravilha, venceu. Dos sapatos chegou à fábrica de parafusos; do torno saltou para a avenida larga, longa e generosa da vida sindical, que o conduziu ao Partido dos Trabalhadores e à Presidência da República. Instalado no poder, Lula amargou escândalos, viu a dissolução ética de seu partido, observou de mãos atadas uma recessão econômica de quase dois anos que por pouco não paralisou seu governo. Mas, como não há males que durem, os escândalos foram varridos para debaixo do tapete e a recessão inicial cedeu, abrindo caminho para o crescimento econômico e a consequente onda de boa vontade com os governantes que ele traz. Com sua genuína devoção aos mais pobres e um carisma fenomenal, Lula chega às portas do seu último ano de governo com 80% de aprovação. A vida de Lula, como se vê, parece coisa de filme.

Lula, o Filho do Brasil, a cinebiografia que estreará nos cinemas no começo do próximo ano, é o primeiro filme de ficção sobre a vida do presidente. A LC Barreto, responsável pelo projeto, enviará 500 cópias ao circuito comercial – o maior lançamento da história do cinema brasileiro. As centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, planejam projetar a fita para espectadores das áreas mais pobres do país. Os trabalhadores sindicalizados poderão comprar ingressos subsidiados a 5 reais. As estimativas mais conservadoras indicam que, somente nas salas comerciais, 5 milhões de pessoas assistirão ao longa. É pouco diante do que se seguirá. O DVD do filme será lançado no dia 1º de maio, feriado do trabalhador. Em seguida, a Rede Globo levará a fita ao ar, editada como uma minissérie. Ao final, se essa ambiciosa estratégia de distribuição funcionar, Luiz Inácio, o homem que fez história, dará um salto rumo a Luiz Inácio, o mito. Esse mito paira acima do bem e do mal, mas estará dizendo o que é certo e o que é errado na campanha eleitoral de 2010. Por fazer parte de um projeto de beatificação do personagem com vista a servir de propaganda eleitoral disfarçada de entretenimento na próxima campanha, Lula, o Filho do Brasil parece coisa de marqueteiro.

Antes mesmo de ser lançado em rede comercial, o filme está agitando os bastidores da política. Assessores envolvidos na campanha presidencial de Dilma Rousseff, a candidata escolhida pelo governo para suceder Lula, veem na película um poderoso instrumento eleitoral, capaz de fazer diferença na luta petista para se manter no poder. O otimismo não é gratuito. Os estrategistas do Planalto receberam pesquisas que demonstram a capacidade de transferência de votos do presidente Lula. Ou seja, se Lula mantiver a popularidade em alta, Dilma será largamente beneficiada. A população faz uma ótima avaliação de Lula e se dispõe a votar em um candidato que mantenha os principais programas do petista. Lula é o maior cabo eleitoral do país. Quase 20% dos eleitores votam em seu candidato, independentemente de quem seja (veja o quadro). A grande dificuldade de Lula é que boa parte do eleitorado não conhece Dilma nem a associa ao presidente. Por isso ela segue a léguas de distância de José Serra, do PSDB, o líder das pesquisas. Para reverter esse quadro, Lula conta com o crescimento da economia, que pode atingir até 5% do PIB em 2010, e a consequente perspectiva de que os eleitores sigam sua orientação e votem em quem ele indicar. O filme é visto como um fator estimulante nesse processo de transferência.
Celso Junior/AE
AVANT-PREMIÈRE
A primeira-dama Marisa Letícia e as atrizes do filme: o lançamento em Brasília foi disputado, mas os aplausos do público foram apenas discretos


Na terça-feira da semana passada, VEJA esteve na primeira exibição pública do filme, que abriu o tradicional Festival de Cinema de Brasília. Numa demonstração da comoção que o longa deve causar, teve gente, de político a porteiro, que implorava por convite na frente do Teatro Nacional, onde aconteceu a projeção. Havia cerca de 1 400 pessoas no teatro, entre ministros, deputados, senadores, sindicalistas, burocratas do governo e jornalistas. Marisa Letícia, a primeira-dama, compareceu ao evento e foi assediada como celebridade. Havia gente em cadeiras improvisadas, gente nas escadas, gente no chão. Lula, o Filho do Brasil é uma novela com duas horas de duração. Em matéria de lágrimas, funciona. Em matéria de apuro estético, constrange. Como obra de arte, portanto, é uma irretocável peça de propaganda. Não poderia ser diferente: é um projeto concebido exatamente com esse propósito. Dirigido por Fábio Barreto, o filme inspira-se na biografia homônima – e oficial – do presidente, escrita pela jornalista Denise Paraná e editada pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.

Se como cinema o filme é fraco, como propaganda e negócio tem tudo para dar certo. O apelo emocional da obra pode agradar ao público que chorou com 2 Filhos de Francisco, a história de superação dos irmãos Zezé di Camargo e Luciano. Há elementos em abundância para provocar chororô – nisso se percebe a maestria de Fábio Barreto, que apresenta ao espectador um Lula plano, sem meios-tons, cujas carnes se tornam reais apenas no sofrimento da perda da mulher grávida, ou no êxtase ao comandar as massas nos comícios sindicais. Qualquer sentimento que pudesse torná-lo mais humano, como a raiva pelo abandono do pai ou a inveja de quem tinha o que ele desejava, perde-se na produção artificial do mito, do messias que sofre, persevera e está destinado a conduzir o povo até a terra prometida (veja o quadro). O Lula de Fábio Barreto não é somente um herói sem defeitos; é um herói iluminado. Barreto faz de tudo para mostrá-lo assim, inclusive omitindo ou atenuando a verdadeira história do presidente (veja o quadro). O Lula de Barreto usa inverossímeis frases de efeito ("Homem não bate em mulher!") para impedir que o pai bata na mãe ou para desafiar a polícia autoritária do regime militar ("Cadeia foi feita para homem") – embora na vida real algumas dessas passagens jamais tenham ocorrido.
Fotos Celso Junior/ AE; Dida Sampaio/ AE
EFEITOS ESPECIAIS
O ministro Franklin Martins acredita que a mitificação precoce de Lula pode ajudar a campanha de Dilma Rousseff


"Queria fazer um melodrama", admite o diretor. O recorte temporal do filme é a primeira prova disso. O roteiro percorre a infância miserável de Lula em Garanhuns, acompanha a trajetória dolorosa do menino que é obrigado a trabalhar para comer e avança até o mergulho dele no mundo sindical. Mas para por aí. Tudo o que aconteceu na vida do presidente entre o começo dos anos 80 e a vitória em 2002 ficou de fora: a criação do PT, a atuação como deputado na Constituinte de 1988, as cinco campanhas presidenciais. Qualquer episódio que pudesse causar constrangimento ou contrariar a narrativa hagiográfica da vida de Lula sumiu da história. Barreto suaviza algumas características notórias do presidente e omite algumas passagens pouco edificadoras. Essas opções dramáticas servem para construir o mito, que sempre precisa de um passado idealizado, idílico, no qual o futuro se desenhe glorioso, rumo ao paraíso terreno – uma mentalidade que prosperou com força na ideia do "país do futuro", no decorrer do regime militar. O clímax triunfalista do filme, quando Lula se ergue sobre as massas, reforça precisamente esse projeto autoritário.

Os bastidores do projeto revelam que essas opções não foram meramente artísticas. Houve estreita colaboração entre os produtores do filme e a equipe de Lula. Em 2003, logo após adquirir os direitos da biografia oficial do presidente, Luiz Carlos Barreto obteve o aval do presidente para tocar o longa. Políticos próximos a Lula afirmam, sob a condição de anonimato, que o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, teve influência decisiva na definição do esquema de captação de recursos. Antes da edição final, Barreto viajou para Brasília pelo menos duas vezes para exibir o filme a políticos próximos ao Planalto. A primeira sessão aconteceu há três meses. Participaram ministros, como Paulo Bernardo, do Planejamento, e Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, e deputados, como João Paulo Cunha e Ricardo Berzoini, da cúpula do PT. Os petistas, depois da exibição, acharam as músicas incidentais muito pouco dramáticas e sugeriram acrescentar músicas populares, que seriam mais facilmente assimiláveis – no que foram prontamente atendidos.
Fotos Beto Barata/AE e Alan Marques/Folha Imagem
SONOPLASTIA
O ministro Paulo Bernardo (à esq.) e o presidente do PT, Ricardo Berzoini: sugestões até para a trilha sonora do filme


Para minimizar a aparência de uma obra chapa-branca, os produtores foram orientados a não aceitar dinheiro público nem incentivos fiscais. Sem muito esforço, captaram patrocínios de dezoito empresas (veja o quadro abaixo), num total de 12 milhões de reais, uma fortuna para os padrões cinematográficos nacionais. Entre as companhias doadoras, há as que têm negócios diretos com o governo, as que têm interesses no governo e as que são controladas por instituições ligadas ao governo... Ouvidas por VEJA, as empresas explicaram que esse tipo de doação faz parte da política de incentivos culturais que cada uma delas desenvolve. Nada a ver com o perfil do biografado. O diretor de uma empreiteira, no entanto, contou a VEJA, reservadamente, o que de fato os atraiu. Segundo ele, os produtores deixaram claro que se tratava de um filme oficial, de interesse e "autorizado" pelo presidente da República. As empresas desembolsaram quantias que variaram de 500 000 a 1 milhão de reais. "Que empresa não iria querer participar? Isso ajuda a abrir várias portas no futuro. Ou, pelo menos, a não fechá-las", admite o funcionário.

A construção de um mito dentro de um regime democrático é coisa raríssima. Na política, o mito costuma surgir em estados ditatoriais, nos quais o exercício da crítica é proibido. Foi o caso de Stalin, na União Soviética, ou de Benito Mussolini, na Itália. Nesses países, assim como em Cuba de Fidel Castro ou na Alemanha de Hitler, a arte – e, em particular, o cinema – foi controlada pelo estado totalitário, numa tentativa de moldar o imaginário social em torno de um projeto de poder. O Brasil, claro, não se encaixa nessa categoria. Diz o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília: "No Brasil, a criação de um mito dentro de um regime democrático é uma situação inédita. Desde Getúlio Vargas não há um fascínio tão perigoso com um líder carismático". Lula já entrou na história, mas é cedo para dizer em qual categoria – se na dos líderes populistas ou na dos estadistas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sarna para se coçar...

Brasil recebe Irã buscando papel de mediador
Autor(es): Reuters
Valor Econômico - 20/11/2009

O Brasil quer valorizar suas credenciais diplomáticas, promovendo a reconciliação no Oriente Médio, ao receber na semana que vem o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, duas semanas após a visita do presidente de Israel, Shimon Peres. Para Ahmadinejad, as visitas a Brasil, Venezuela e Bolívia representam uma chance de ampliar as relações do Irã com uma região onde já conta com um sólido aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez.

O Brasil, que adota uma posição muito mais conciliadora em relação ao programa nuclear iraniano do que outros governos ocidentais, diz que o diálogo com Teerã propicia mais chances de avanços a respeito da questão nuclear e da paz no Oriente Médio do que o isolamento do país.

O diálogo Brasil-Irã conta com o apoio do governo americano, já que, segundo autoridades brasileiras, o presidente Barack Obama pediu, em março, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que conversasse com Ahmadinejad. "Acreditamos que é muito mais importante manter um diálogo com o Irã do que simplesmente dizer não, deixá-los estigmatizados e isolados", disse Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, na semana passada a jornalistas no Rio. "Obama disse que um diálogo entre Irã e Brasil é importante."

Obama tem dito que o tempo está se esgotando para que a diplomacia resolva o impasse em torno do programa nuclear iraniano - potências ocidentais suspeitam que ele esteja voltado para a produção de armas atômicas. Teerã afirma que seu objetivo é apenas gerar eletricidade para fins civis.

Preparando-se para assumir no ano que vem uma vaga temporária no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil está ávido para demonstrar sua seriedade como ator no cenário internacional e pleiteia um papel mais ativo na promoção do diálogo no Oriente Médio.

Depois de receber Peres recentemente, Lula terá no fim de semana a visita do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Em março, será a vez de Lula ir a Israel e aos territórios palestinos.

Até hoje, o Brasil tem historicamente pouco envolvimento com a questão do Oriente Médio e analistas duvidam que o país possa resolver o impasse com o Irã ou destravar o processo de paz entre israelenses e palestinos.

"Acho que as chances de Lula desempenhar um papel em juntar EUA e Irã são negligenciáveis. Acho que, se essa é a meta, o governo brasileiro está se posicionando para o fracasso", disse Michael Shifter, vice-presidente para políticas da entidade Diálogo Interamericano, de Washington. "Acho que isso é para reforçar a sensação de que o Brasil é uma grande potência e pode aproveitar uma ampla gama de contatos em todo o espectro ideológico."

Brasileiros estão mais altos e mais gordos, afirma estudo

Brasileiro está mais alto e mais gordo
Autor(es): ANGELA PINHO
Folha de S. Paulo - 20/11/2009

Estudo do Ministério da Saúde revela crescimento médio de 3 cm; IMC está próximo do limite considerado saudável

Especialistas consideram que o país está mudando o perfil nutricional, com a desnutrição em queda e o risco de obesidade em alta

Os brasileiros estão cada vez mais altos e mais gordos, revela um estudo do Ministério da Saúde divulgado ontem. De 1974 a 2003, a altura média dos homens passou de 1,67 m para 1,70 m e a das mulheres, de 1,55 m para 1,58 m.
Já o risco de obesidade cresceu principalmente entre crianças e adolescentes do sexo masculino com dez a 19 anos. O IMC (índice de massa corporal) médio, calculado a partir do peso e da altura, subiu no período para ambos os sexos.
O indicador mostra que, na média, os brasileiros estão dentro dos parâmetros considerados saudáveis, mas encontram-se em uma situação limite. O IMC médio está em 24,7 para as mulheres e em 24,6 para os homens. Quem tem 25 ou mais é considerado acima do peso. Acima de 30, obeso. Em 1974, o IMC médio dos homens era 22,4 e o das mulheres, 23,1.
Diante das conclusões, o Ministério da Saúde e especialistas já consideram que o país está diante de uma mudança no perfil nutricional da população, em que a desnutrição está dando lugar ao sobrepeso.
Uma pesquisa feita por telefone no ano passado já apontava que 43,3% dos moradores com mais de 18 anos das 27 capitais estavam acima do peso.
Por outro lado, cada vez menos crianças têm deficit de altura para a idade (a chamada desnutrição crônica), consequência atribuída pelo Ministério da Saúde à melhoria na renda da população, ao aumento da cobertura do Programa de Saúde da Família e ao maior índice de escolaridade das mães, entre outros fatores.
Tudo isso fez com que a desnutrição crônica caísse de 13,4%, em 1996, para 6,7% dez anos depois. "Com isso, as crianças puderam crescer com toda a sua potencialidade genética", afirma Deborah Malta, coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do ministério.
Tanto o aumento de altura quanto o de peso têm raízes no desenvolvimento do país e são fenômenos comuns a países que passam por um período de maior crescimento econômico, afirma Márcio Mancini, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) e médico do Hospital das Clínicas, onde é responsável pelo grupo de obesidade.
Em última instância, o aumento do sobrepeso decorre do fato de que os brasileiros estão se alimentado pior e se exercitando menos. A pesquisa feita pelo ministério no ano passado mostrou que 29,2% dos adultos das capitais não haviam feito nenhuma atividade física nos três meses anteriores.

Questão cultural
Mancini aponta que o problema está ligado também a questões culturais e urbanísticas. Por um lado, a proliferação de restaurantes fast food e de comidas industrializadas favorece a má alimentação, ligada ao fato de que brasileiros comem menos em casa. Por outro, cidades violentas, mal iluminadas e com pouco lazer favorecem o sedentarismo.

Se tudo der errado, MP neles!

GOVERNO ESTUDA MP PARA CONTER APOSENTADORIAS
Governo fala em definir reajuste dos aposentados por medida provisória
Autor(es): Vera Rosa e Edna Simão
O Estado de S. Paulo - 20/11/2009


Se o impasse continuar até o fim do ano, serão editadas 2 MPs, para desvincular benefícios do reajuste do mínimo

O governo federal pode recorrer a medidas provisórias para tentar isolar o senador Paulo Paim (PT-RS) e, ao mesmo tempo, desvincular o debate sobre o reajuste do salário mínimo do aumento das aposentadorias e pensões do INSS. A ideia é impedir a aprovação da emenda de Paim, que estende a todos os aposentados o mesmo índice do mínimo e ameaça provocar um rombo na Previdência.

"Em janeiro de 2010 vamos ter o novo salário mínimo, e não está descartada a hipótese de medida provisória para tratar do assunto. Tudo depende do clima na Câmara", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Apesar da pressão dos aposentados, o governo não pretende negociar nada além do que foi acertado em agosto com as duas maiores centrais sindicais, a CUT e a Força Sindical. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou que está disposto a conceder um reajuste de 6% para aposentadorias acima do mínimo, em 2010 e 2011, o que representaria aumento real de 2,5% em cada ano. "A proposta é esta. Não há alternativa além disso", disse Padilha.

Os aposentados acham o porcentual baixo e querem cerca de 8% ? índice próximo do previsto para o salário mínimo. "Tem dinheiro pra todo mundo, menos para o aposentado. No governo Collor, os caras pintadas foram às ruas. Agora, na era Lula, são os caras enrugadas", disse o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Warley Martins Gonçalles.

Se o impasse persistir até o fim do ano, o governo vai publicar duas MPs. Uma sobre a política de longo prazo do mínimo ? que entra em vigor em janeiro de 2010, quando ele deve subir de R$ 465 para R$ 510 ? e outra sobre o reajuste dos aposentados. Atualmente, a correção dos benefícios para quem ganha mais de um salário mínimo tem como base apenas o INPC.

A emenda do senador Paim ? o petista que causa dor de cabeça ao Planalto ? foi feita ao Projeto de Lei 01/2007, do Executivo, que trata da política de elevação do salário mínimo até 2023. O acerto feito em agosto com as principais centrais foi uma tentativa do governo para impedir o avanço, no Congresso, do que foi batizado como "kit Paim".

O acerto, porém, não vingou e os aposentados continuam a pressionar o Palácio do Planalto. Além da correção de todos os benefícios previdenciários pelo mesmo índice do piso salarial, eles querem acabar com o fator previdenciário ? mecanismo que reduz o valor do benefício para quem se aposenta mais cedo. E também querem restabelecer o valor das aposentadorias pelo número de salários mínimos que elas representavam quando foram concedidas. Todas essas medidas constam de projetos em debate na Câmara.

Convencidos de que podem obter mais vantagens por causa da proximidade das eleições de 2010, os aposentados querem reabrir as negociações. O governo também quer acordo, mas não admite ceder. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente temem que Lula sofra desgaste político ao ser obrigado a vetar a concessão de benefícios para não causar um rombo na Previdência. "Não tem essa de desgaste. Se tiver de vetar, o governo vai vetar", insistiu o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

Na segunda-feira, representantes da CUT e da Força Sindical, entre outras centrais, reúnem-se com dirigentes da Confederação Brasileira dos Aposentados (Cobap) para definir nova proposta a ser levada ao Executivo. Se o diálogo não avançar, os aposentados voltarão a protestar na Câmara.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Multidão sim; ovação, não

Democrática bagunça
Autor(es): André Miranda
O Globo - 19/11/2009

No fim, apesar de praticamente toda a plateia a favor do personagem, não houve a ovação que se esperava na cerimônia de abertura do 42oFestival de Brasília, na noite de anteontem. Em sua primeira exibição aberta, “Lula, o filho do Brasil” lotou perigosamente o Teatro Nacional Cláudio Santoro de espectadores afoitos por assistir à tão falada cinebiografia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O filme, dirigido por Fábio Barreto, apresenta a trajetória de Lula (vivido em três fases por Felipe Falanga, Guilherme Tortolio e Rui Ricardo Diaz), do nascimento até a morte de sua mãe, dona Lindu (Glória Pires), em 1980, quando ele era líder sindical e estava preso.

— É um filme para mostrar como o povo brasileiro é perseverante e corre atrás do que quer. É uma homenagem a ele — disse Barreto.

Roteiro do filme é segmentado demais

A ideia do diretor é que o brasileiro médio se identifique com a história de um nordestino que veio para São Paulo ainda criança e que, após superar adversidades, chegou à Presidência da República.
Mas fica uma pergunta: como se faz para resumir uma trama tão cheia de detalhes? Nessa tentativa, o filme parte de um roteiro excessivamente segmentado e de dramaturgia limitada. Até o período das greves dos metalúrgicos, no fim dos anos 1970, o que se vê são esquetes que servem para compor uma personalidade exageradamente heroica. Na infância, a professora (Lucélia Santos) enaltece a esperteza do menino. É Lula, o inteligente.
Pouco depois, ele encara o pai, Aristides (Milhem Cortaz): “Não bate na mãe, homem não bate em mulher”. É Lula, o corajoso.
Na adolescência, ele divide um terno com um amigo para poder entrar no cinema. É Lula, o malandro.
Mais velho, quando presencia o assassinato de um dono de fábrica que havia atirado num grevista, o personagem foge e recrimina a selvageria.
É Lula, o sensato. Há ainda os Lulas galanteador, jogador de futebol, sensível, bom filho, orador...
São muitos os predicados para construir um único herói. Muitas sequências esparsas para um único filme.
Apenas com as greves é que o longa-metragem ganha em emoção.
A tensão surge tanto ao se descobrir como Lula vai conseguir ser o mediador dos pensamentos divergentes dentro do sindicato quanto ao acompanhar os últimos dias de dona Lindu. Na melhor cena do filme, o protagonista sobe num palanque dentro de um estádio de futebol e pede para que os “companheiros” reverberem suas palavras para trás, enquanto a polícia começa a cercar o local. Formase, então, uma onda humana, bem coreografada e dirigida.
No elenco, o destaque é Rui Ricardo Diaz. Ele consegue equilibrar bem as responsabilidades política e pessoal que o personagem carrega. O ator interpreta um Lula adulto sereno, cordial e humilde, e demonstra talento ao construir com suavidade a mudança da postura do operário desinteressado por política para a do líder sindical.
Glória Pires deixa clara sua usual qualidade artística como dona Lindu. São dela as cenas mais emotivas do filme, apesar de seu papel aparentar ser apenas uma escada para Lula brilhar. Aliás, todos os outros atores passam pela mesma situação. Juliana Baroni (dona Marisa, atual primeira-dama) e Cléo Pires (Lurdes, primeira mulher de Lula) têm participações pouco expressivas.

Mercado crê em bilheteria recorde

É preciso, ainda, analisar o momento da estreia de “Lula, o filho do Brasil”, marcada para 1º de janeiro em 500 salas (quase 25% do parque exibidor do país). O filme poderia ter as mesmas cenas, atores e a montagem e ter sido lançado há dez anos, ou daqui a cinco.
Em ambos os casos, seu impacto seria diferente — não se sabe se melhor ou pior, mas lidaria com uma perspectiva distinta do público em relação ao personagem.
Hoje, a popularidade do presidente Lula é alta, e o longa-metragem de Fábio Barreto se favorece disso, tanto que o mercado acredita na possibilidade de o filme bater recordes de bilheteria.
A opção pelo enfoque dado ao personagem definitivamente não é inconsciente.
Outro ponto acerca do lançamento é saber se “Lula, o filho do Brasil” terá algum efeito na próxima eleição presidencial, em outubro de 2010. Depois de já ter cumprido dois mandatos, o presidente não poderá ser candidato, mas tem intenções de eleger como sua sucessora a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Em 2004, o cineasta americano Michael Moore, ferrenho opositor do governo republicano de George W. Bush, lançou o documentário “Fahrenheit 11 de Setembro”. O filme de Moore chegou aos cinemas em junho, e a eleição americana ocorreu em novembro.
Mas, apesar de “Fahrenheit...” ter sido um sucesso de público e de ter acusado o governo dos EUA de diversas irregularidades, Bush acabou reeleito.

— O povo brasileiro está num patamar alto de maturidade e não vai votar em alguém por causa de um filme — disse, ao fim da sessão, o presidente nacional do PT e deputado federal Ricardo Berzoini.
Numa cena de “Lula...”, porém, seu irmão Ziza (Sostenes Vidal) diz que “falta alguém diferente, que pense diferente”, na tentativa de atrair Lula para o sindicato dos metalúrgicos. A frase tem todo o jeito de slogan de campanha. Tanto que políticos ligados ao PT já procuraram a produção do filme com a intenção de agendar exibições em suas cidades. Os pedidos foram negados, e a produtora Paula Barreto garante, ainda, que vai processar qualquer um que utilize cenas com intuito eleitoral. Resta saber se os milhões de espectadores que o filme provavelmente terá conseguirão separar a ficção da vida real.

'Lula', o filho do capital

O filme "Lula, o filho do BRasil" foi financiado por 18 empresas doadoras. quatro fizeram doações 'ocultas'. entre as generosas do filme estão: OAS, Odebrech e Carmargo Corrêa e as montadoras Wolkswagen e Hyundai. É, tá certo, cada um corre atrás do seu 'quinhão'.

Financiamento divide especialistas
Autor(es): Tatiana Farah
O Globo - 19/11/2009

SÃO PAULO. O professor de Ética da Unicamp Roberto Romano considerou uma temeridade que empresas que têm contrato com o governo federal financiem “Lula, o filho do Brasil”.



Para Romano, o filme ajuda o que chama de “culto à personalidade” de Lula: — Ou é uma imensa obra de bajulação, ou de propaganda. Acho que é as duas coisas. É propaganda eleitoral de encomenda, embora o senhor Barreto diga que não. O financiamento do filme é uma temeridade.

Ele não vê dilema ético nos patrocínios.

— Não há dilema ético. Mas é ruim em qualquer estado democrático, principalmente quando o governante exerce capacidade de atrair multidões através de propaganda. Essas empresas deveriam ter evitado patrocinar o filme.

Quanto mais você está enredado no mercado, e o mercado está ligado a fontes oficiais, tem de tomar cuidado. Mas não dá para dizer, a priori, que as empresas estejam se aproveitando (financiando para receber benesses).

O cientista político Fernando Abrúcio (FGV-PUC) diz que seria ilação afirmar que há interesse dos patrocinadores em ter benefícios no governo: — A Camargo Corrêa financia campanhas de vencedores e derrotados. Errado é o sistema político. Temos de esperar para ver se haverá uso político. As empresas podem estar querendo surfar na popularidade do presidente.

Dizer que empresas querem tirar proveito do financiamento pode ser infâmia.

Temos de guardar o nome dos patrocinadores e aguardar.

Para Abrúcio, os produtores deveriam ter esperado para lançar o filme depois da saída de Lula. Perguntado sobre terem aproveitado a popularidade de Lula, ponderou: — A política não pode determinar a arte.

Foi assim com Stalin.

Abrúcio não vê possibilidade de um suposto sucesso do filme refletir na campanha da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff: — Quem tem história parecida é Marina Silva (PV). O que ajuda Dilma é se o governo estiver bem. O que define voto é bem-estar econômico e social. O filme pode ajudar, mas não é decisivo. Inflar o Lula não é inflar a Dilma.

Para o professor de Ética e Filosofia Antonio Valverde (PUC-SP e FGV), não há dilema ético: — Agora vem a patrulha ideológica, como dizia o Glauber Rocha. Desde o início do cinema brasileiro, empresas patrocinam filmes.

Não podemos ser moralistas. Honestamente, não vejo problema. É uma produção comercial.

Certamente, o filme não transfere votos para o candidato do Lula, isso é difícil, não é automático. O importante é ver se, depois do filme, alguma das empresas vai se beneficiar.

Lula, Battisti fica ou não?

STF APROVA EXTRADITAR BATTISTI, MAS DEIXA DECISÃO PARA LULA
LULA DECIDIRÁ SOBRE BATTISTI

Autor(es): Carolina Brígido
O Globo - 19/11/2009

STF aprova extradição, mas abre caminho para ativista italiano permanecer no Brasil


Está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão sobre o destino do exativista italiano Cesare Battisti, condenado pela participação no homicídio de quatro pessoas, na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição de Battisti por cinco votos a quatro. Mas, pelo mesmo placar, declarou que Lula tem poderes para descumprir essa orientação e manter o italiano no Brasil.

A maioria dos ministros considerou que processos de extradição são casos de política internacional, tema em que a palavra final cabe ao chefe de Estado. Após o julgamento, Gilmar Mendes disse não acreditar que a polêmica tenha chegado ao fim: — Está deferida a extradição, e cabe ao Executivo decidir. Essa é a primeira vez que se discute isso. É uma mitologia jurídica. Não significa que seja a decisão final sobre essa questão.

Certamente haverá embargos declaratórios.

É toda uma situação nova que se criou, que imagino que não seja definitiva, diante da precariedade da maioria e da ausência de ministros.

A perplexidades que os senhores têm, eu também tenho — disse.

A votação do processo de extradição havia sido interrompida semana passada em empate: quatro ministros eram favoráveis à extradição e quatro defendiam a permanência do italiano no Brasil como refugiado político. O impasse terminou com o voto de minerva de Gilmar Mendes a favor da transferência de Battisti para a Itália.

No fim, bate-boca entre ministros

Em seguida, os ministros votaram sobre a possibilidade de o presidente da República ser obrigado ou não a seguir a decisão do STF. Foi a parte mais controvertida da sessão, com discussões acirradas. Gilmar, que defendeu a obediência do presidente à decisão do tribunal, não proclamou o resultado da segunda votação, em que fora derrotado.

A atitude provocou bate-boca e deixou revoltados os cinco ministros que declararam que Lula não é obrigado a seguir o entendimento do STF.

— Não há condições de um ouvir o outro, devido à paixão que presidiu este caso — protestou Eros Grau.

O ministro ficou particularmente irritado quando Gilmar tentou interpretar como ele tinha votado.

— Quem sabe como votei sou eu.

Marco Aurélio exigiu que Gilmar proclamasse o resultado completo: — Teremos que fazer um simpósio sobre como proclamar uma decisão, como proclamar a ótica da maioria.

Votaram pela extradição Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Ellen Gracie e Gilmar. No time oposto ficaram Eros, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio. Na segunda parte do julgamento, o primeiro grupo votou pela obrigatoriedade de Lula seguir a orientação do STF e o segundo grupo defendeu a tese oposta.

A exceção foi Ayres Britto. Apesar de ter defendido a extradição, ele afirmou que cabe a Lula dar a última palavra.

Ao votar, Gilmar ponderou que, pelo Estatuto do Estrangeiro e pelo tratado de extradição firmado entre Brasil e Itália, após o STF autorizar a extradição, o presidente deve entregar o réu à Itália. O estatuto prevê uma exceção: se o estrangeiro estiver sendo processado no Brasil, a extradição pode esperar o fim do processo, o que se aplica a Battisti, que responde a ação no Rio por uso de passaporte falso.

Veio de Ayres Britto a defesa mais acirrada da tese contrária. Ele ponderou que o processo de extradição só passa pelo Judiciário para defesa dos direitos humanos do réu: — O presidente é chefe de Estado e titular da política internacional. O tribunal entra no circuito para garantir a prevalência dos direitos humanos.

No início da sessão, manifestantes gritaram “liberdade para Cesare Battisti”.

Uma mulher foi retirada à força do plenário. Do lado de fora, um grupo pró Battisti tirou a roupa. Uma das questões que precisam ser resolvidas agora é a prisão de Battisti. Se o italiano ficar no Brasil, cabe à defesa recorrer ao STF pedindo sua soltura.

Lula, o filho do Brasil

Não vi ainda o filme lula, o filho do BRasil. Mas pelo que tenho lido, ouvido e conversado sobre o próprio, tenho para mim que só vou assistí-lo por mera obrigação do ofício. as críticas têm sido ferozes e ferinas. Sei que o bon senso indica que não se deve dar ouvidos à unanimidade e o mais indicado é procurar nossas próprias conclusões. Pois bem, é isso que farei. Preciso mesmo ver o filme para crer.
Abaixo, a critica de Fernando de Barros e Silva, publicada hoje na Folha de São Paulo.
Filme de Lula tem clichês como nunca antes neste país
Ficção ruim converte vida única em história exemplar
Autor(es): FERNANDO DE BARROS E SILVA
Folha de S. Paulo - 19/11/2009



Fernando de Barros e Silva: Filme de Lula tem clichês como nunca antes neste país



"Lula, o Filho do Brasil" é incrivelmente ruim. Fábio Barreto transformou uma vida única em vida exemplar; a biografia de Lula foi idealizada. Tudo é didático e infantilizante, e o repertório de clichês parece vasto como nunca antes na história do cinema deste país.




Clichês e interpretações fracas marcam longa de tom didático e infantilizante

"Lula, o Filho do Brasil" é um filme incrivelmente ruim. A ponto de ter frustrado a plateia de convidados que o recebeu com aplausos discretos e ligeiros ao final da estreia, anteontem, na abertura do 42º Festival de Cinema de Brasília.
Na presença da primeira-dama, Marisa Letícia, do elenco, de vários ministros de Estado e de mais algumas centenas de figuras do mundo oficial brasiliense, esperava-se uma noite apoteótica. Não foi.
Antes da exibição, o produtor Luiz Carlos Barreto foi ao palco e criticou a organização do festival pela superlotação da sala.
Alertou que todos corriam risco de morte e pediu que os corredores fossem esvaziados. Foi vaiado. Fábio, o filho do Barretão, reclamou que os atores não tinham onde sentar. Pediu assentos livres. Mais vaias.
Curtos-circuitos à parte, o diretor Fábio Barreto tinha em mãos a matéria-prima de uma vida sem dúvida excepcional: a história única do retirante nordestino que chega à Presidência da República num país desigual como o Brasil.
O filme, no entanto, transformou a vida única em vida exemplar. A biografia de Lula foi idealizada, como se o presidente já estivesse contido em cada gesto da criança predestinada que nasceu no sertão pernambucano, filha de pai alcoólatra e de mãe infinitamente dedicada e bondosa. De resto, passagens importantes na vida do personagem, como a filha Lurian, que teve com Miriam Cordeiro, são deixadas de lado.
O ideário nacional-popular no filme assume propósitos edificantes, como se estivéssemos diante de uma aula-show de moral e cívica dos novos tempos. A narrativa é linear e convencional; tudo é didático, esquemático, infantilizante; o repertório de clichês parece vasto como nunca antes na história do cinema deste país.
A preocupação pedagógica, de realizar um filme bem explicadinho e redundante, lembra algo dos procedimentos da arte socialmente engajada, do antigo CPC ou do realismo socialista. Mas, aqui, a pedagogia da superação pessoal está submetida à lógica do dramalhão, posta a serviço de uma sensibilidade que aproxima o filme das telenovelas. Seria talvez o caso de falar em realismo de mercado, ou mercadista.
Barretão parece sincero quando diz que fez o filme para "ganhar dinheiro". Fábio não mente quando insiste que o filme é um "melodrama épico", feito para "divertir e emocionar". O pragmatismo sem peias e a vulgaridade da família Barreto não deixam de ser um sinal (político? estético?) do momento nacional.
Registre-se a passagem em que um sindicalista, nos anos 70, saúda o bar "cheio de brameiros". A expressão não existia na época. O jargão da publicidade recente invade a tela sem nenhum pudor. É triste que uma produção tão cara para os padrões brasileiros tenha resultado em interpretações tão precárias em alguns casos.
Rui Ricardo Dias não se decidiu entre ter ou não ter a língua presa, entre imitar o Lula verdadeiro ou inventar uma dicção para seu personagem. Aristides, o pai de Lula, vivido por Milhem Cortaz, é quase um vilão de quadrinhos, resmungando, cambaleando e babando cachaça, sempre com gestos caricatos. A Marisa Letícia arisca de Juliana Baroni é a boa surpresa do elenco, que tem em Glória Pires, no papel de Dona Lindu, a mãe de Lula, seu porto seguro. De novela ela entende.
O filme se encerra com o trecho do discurso de posse em que Lula oferece seu "diploma" à mãe. A narrativa, no entanto, acaba em 1980, quando Lindu morre e o líder sindical deixa o Dops depois de um mês preso.
A história política aparece no filme como pano de fundo, quase uma moldura da trajetória do filho de Dona Lindu. Desde cedo, Lula está sempre fazendo comentários ponderados.
Quando vê pela TV a decretação do AI-5, solta, em tom de lamento: "Mas já estava tudo na mão deles".
A moral da história, porém, vai sendo salpicada ao longo da trama pelas falas que a mãe dirige ao filho em tom de ensinamento: "Primeiro a obrigação, depois a distração"; "O mais importante é não esquecer de onde você veio"; "A gente faz o que dá pra fazer, mesmo que seja pouco"; "Se você sabe o que é pra fazer, vai lá e faz, se não der, espera."
Com "O Filho do Brasil", o lulismo recebe a bênção materna.

Bolsa celular subiu no muro...

Mercado Aberto (Folha)
BOI NA LINHA 1
Um dos motivos que levaram o ministro Hélio Costa (Comunicações) a abandonar o programa Bolsa Celular foi uma questão regulatória. Ao contrário do setor elétrico, em que as companhias oferecem tarifas menores para pessoas de baixa renda, os serviços de telecomunicações não permitem a diferenciação. Pela Lei Geral de Telecomunicações, tanto o preço quanto as tarifas têm de ser os mesmos, independentemente da classe social. O programa previa a doação de celulares pelo governo e de créditos mensais para pré-pagos pelas operadoras.

BOI NA LINHA 2
Apesar disso, as operadoras estudam com o Ministério das Comunicações uma forma de contornar essa barreira. Para elas, a telefonia móvel tem um caráter privado (só o serviço fixo seria público). Por isso, gostariam de levar adiante o Bolsa Celular. O desafio de Hélio Costa é encontrar uma brecha na legislação do setor para levar o programa adiante. Nos bastidores, as operadoras dizem que o ministro se precipitou na semana passada ao anunciar o programa, cujos detalhes ainda estavam em discussão. Só a TIM tinha aderido ao programa.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Furnas descarta falha humana em blecaute

De O Valor
Chico Santos e Rafael Rosas, do Rio
Leo Pinheiro/Valor

Carlos Nadalutti, de Furnas: operação dos equipamentos de controle das linhas não exige interferência humana
O presidente de Furnas Centrais Elétricas, Carlos Nadalutti Filho, desprezou a hipótese levantada por técnicos do setor elétrico de que o blecaute da semana passada, que afetou 18 Estados, ter sido causado por erro humano. Disse também que a justificativa dada pelo governo para o incidente, atribuído a fenômeno meteorológico, não quer dizer que as linhas de transmissão que se desligaram tenham sido atingidas por raios.

Já o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu a possibilidade de que a segurança energética seja incluída nos cálculos para tomada de decisão sobre ligar ou não ligar as usinas termelétricas, que existem para funcionar em situações de escassez de energia de outras fontes, especialmente hidrelétrica. O critério atual é baseado no preço, sendo ligadas, em condições normais, sempre as fontes de energia mais baratas. Atualmente, com os reservatórios das hidrelétricas cheios, pouquíssimas termelétricas, mais caras, estão sendo ligadas.

Tudo, segundo Lobão, dependerá dos resultados que serão apresentados pelo grupo de trabalho criado pelo governo para analisar o blecaute, buscando precisar sua causa e apontar medidas a serem tomadas para evitar uma repetição. "A modicidade tarifária (menor preço) interessa a todo o povo brasileiro, mas é claro que não podemos procurar a modicidade em prejuízo da segurança", afirmou o ministro após abrir o seminário sobre o setor de energia, no Rio.

Sobre a causa do blecaute, Nadalutti disse que "não há necessariamente associação a raio". Segundo ele, "existem, sim, comportamento climatológico em cima desses equipamentos (das linhas de transmissão), não necessariamente raios". Nadalutti participou da abertura do mesmo seminário ao qual compareceu Lobão. A um pedido para que explicasse melhor, o presidente de Furnas disse apenas que a explicação teria que ser buscada "a nível da física", dando a entender que seria muito complicado para o senso comum entender. Segundo ele, "em outras oportunidades já houve coisas semelhantes e nada aconteceu".

Furnas é a dona das linhas de transmissão que levam energia elétrica da usina de Itaipu para a Região Sudeste. Na noite da terça-feira, dia 10, as três linhas que transportam a energia se desligaram simultaneamente nas proximidades da subestação de Itaberá, São Paulo, um comportamento típico de proteção contra algum tipo de curto-circuito, provocando uma reação em cadeia que desligou 28,8 mil megawatts da carga média total de cerca de 54 mil megawatts do Sistema Interligado Nacional (SIN) naquele dia.

Nadalutti disse que não havia nenhuma interferência humana na operação dos equipamentos de controle das linhas que pudesse justificar a hipótese de erro de algum operador. Quanto à possibilidade de vir a ser feita uma linha de transmissão por uma rota diferente, que sirva de alternativa às linhas atuais, dando maior confiabilidade ao sistema, o presidente de Furnas disse que o sistema elétrico brasileiro "está dimensionado sob a ótica da melhor engenharia no sentido de otimizar os gastos", dando a entender que qualquer obra adicional deve ser examinada sob a ótica do custo e do seu benefício.

A sua breve entrevista foi interrompida pela assessoria do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que o levou pelo braço, alegando que Nadalutti precisava despedir-se do ministro Lobão que naquele momento preparava-se para deixar o local do evento, que termina amanhã e tem o patrocínio de Furnas. Cunha, responsável pela escolha de Nadalutti para presidir a geradora federal de energia elétrica, mostrou que hoje detém o poder político em Furnas.

Ao longo dos últimos dois anos o deputado foi apontado como responsável pela tentativa de trocar dois dirigentes da Fundação Real Grandeza (o presidente e o diretor de investimentos), fundo de pensão dos empregados de Furnas e da Eletronuclear) antes de vencerem os respectivos mandatos. Os participantes do fundo resistiram, mas os dois deixaram os cargos ontem, sem terem conseguido renovar seus mandatos, como faculta o estatuto da instituição.

Cunha foi uma das estrelas do primeiro dia do seminário e feira "Brazil Global Energy", com marcada presença do PMDB, fazendo uma longa palestra sobre o petróleo na camada pré-sal e sobre o setor elétrico do ponto de vista da tramitação de projetos no Congresso. Basicamente, defendeu as posições do governo, mas, tendo como pano de fundo o blecaute da semana passada, criticou a pouca ação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) como agente fiscalizador e cobrou explicações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Outro palestrante foi o diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, também indicado pelo PMDB.

Hoje, na sede do Operador Nacional do Sistema, no Rio, haverá reunião dos órgãos e empresas envolvidos com o blecaute para preparar um relatório à Aneel.

Setor automotivo tem 1º deficit

Da Folha de São Paulo
Valorização do câmbio e crise provocam saldo negativo de US$ 2,5 bi na balança comercial entre janeiro e setembro

Montadoras representam US$ 1,5 bilhão do deficit total, que inclui ainda autopeças e máquinas agrícolas e rodoviárias

PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O setor automotivo terá neste ano, como sequela da crise global e efeito da valorização do câmbio, seu primeiro deficit na balança comercial desde 1998.
A retração nos principais mercados de exportação do país, combinada com o avanço das importações de veículos no ano, já provocou um saldo negativo de US$ 2,5 bilhões entre janeiro e setembro. A conta leva em consideração também autopeças e máquinas agrícolas e rodoviárias.
Só as montadoras acumulam deficit de US$ 1,5 bilhão.
Em volume, foram exportados 371 mil veículos (incluindo carros de passeio, caminhões e ônibus) nos dez primeiros meses do ano, uma queda de 42% ante igual período de 2008. Já a entrada de importados avançou 21,6% e chegou a 386 mil.
"Naturalmente, teremos deficit neste ano por conta da queda drástica das exportações de autoveículos", diz o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider.
A crise provocou encolhimento nos principais mercados de exportação brasileiros, como Argentina e México.
De acordo com Schneider, a reversão do quadro deficitário dependerá, em primeiro lugar, do retorno desses mercados e, em segundo, da capacidade que o país terá para garantir competitividade no exterior.
Ele estima que a demanda global começará a reagir a partir do segundo trimestre de 2010. Mas a indústria terá de reconquistar o espaço perdido.
"A valorização do real deixa os produtos menos competitivos. Mas há outras questões estruturais que afetam a competitividade, como os problemas tributários, de logística, além do custo de capital. Tudo isso demanda tempo para resolver."
"E o mercado de exportação é muito difícil para entrar, mas muito fácil para sair."
O setor de autopeças já vai para o terceiro ano consecutivo de deficit. Neste ano, até setembro, o saldo negativo chega a US$ 1,76 bilhão.
Para o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, a redução nas alíquotas de importação de peças foi o primeiro golpe na indústria, que já havia consolidado uma balança comercial superavitária.
"Com a diminuição do imposto, há cerca de quatro anos, as subsidiárias instaladas aqui passaram a importar muito mais das matrizes em vez de produzir internamente."
E a valorização cambial acabou por intensificar esse processo, já que os importados ficam mais baratos", acrescenta.
Ao mesmo tempo em que houve aumento de produtos estrangeiros no país, caíram as exportações do setor.
Em 2008, as vendas externas respondiam por 22% da produção. Para este ano, a previsão do Sindipeças é que encerrem com uma fatia de 12%.
Se ainda não há um processo evidente de desindustrialização, graças ao aquecimento do mercado interno de veículos, os investimentos do setor e a geração de empregos diminuem, segundo Butori.
O deficit no setor automotivo, tradicionalmente superavitário, é um fato emblemático e de maior gravidade para a economia como um todo, afirma Augusto Castro, diretor da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).
"A indústria automotiva era muito importante para a geração de superavit na balança comercial. O efeito [do deficit] é que a pauta de exportações fica mais e mais dependente das commodities." Castro argumenta que é mais difícil para o país planejar as exportações de commodities, já que não é formador de preços nem volumes.

regime de metas para enfrentar a crise

"Alguns analistas mais afoitos e menos informados chegaram a dizer que o regime de metas não seria suficiente para permitir a superação da crise. No entanto, os dados de atividade mais recentes mostram enfaticamente que esse é um regime extremamente adequado para enfrentar crises", disse o Presidente do Banco Central em evento sobre os 30 anos da taxa Selic.

Novo diretor já criticou independência do BC

Da folha de São Paulo
DA REPORTAGEM LOCAL

A independência do Banco Central, da forma como preconizada pelo pensamento econômico liberal, pode provocar conflitos institucionais sérios, além de contrariar, de forma ilegítima, o poder de "governos eleitos democraticamente".
É o que escreveu, em um artigo de 1993, o novo diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes.
O artigo de Mendes foi publicado pela revista do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

TCU X Governo

Carência de dinheiro, e não TCU, emperra obras do PAC
Restrições do TCU atingem só 4% de 232 obras do PAC
Autor(es): GUSTAVO PATU
Folha de S. Paulo - 16/11/2009



Apontado pelo governo federal como um dos principais obstáculos às obras do PAC, o TCU (Tribunal de Contas da União) faz restrições a apenas 9 (4%) de 232 projetos prioritários que, até setembro, haviam recebido menos de um quinto das verbas previstas para este ano, a dado é de levantamento feito pela Folha nos ministérios dos Transportes e das Cidades.

Execução orçamentária lenta explica atrasos em projetos dos Transportes e das Cidades

Levantamento da Folha sobre obras das duas pastas mostra que, até setembro, o governo liberou menos de um quinto da verba prevista




Alvo preferencial das críticas do governo Lula quanto à paralisação de obras federais, a atuação do TCU (Tribunal de Contas da União) afeta uma proporção pequena das ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com baixa taxa de execução neste ano.
Levantamento feito pela Folha identificou, nos ministérios dos Transportes e das Cidades, 232 projetos classificados como prioritários que, até setembro, haviam recebido menos de um quinto das verbas previstas no Orçamento deste ano. Trata-se de 40% dos projetos do PAC nas duas pastas, ou um terço do total do programa bancado com dinheiro do Tesouro.
Dessas obras com pouco ou nenhum desembolso de recursos da União, somente nove -4% do total- estão sujeitas a algum tipo de restrição do TCU, segundo cruzamento realizado com informações prestadas pelo tribunal.
São cinco ações postas sob suspeita pelo TCU nos Transportes e quatro nas Cidades, que somam R$ 612,5 milhões na lei orçamentária deste ano, ou 3% dos quase R$ 22 bilhões disponíveis para o PAC nesses ministérios, os líderes em investimentos na Esplanada.
A maior delas é a construção da ferrovia Norte-Sul (TO), para a qual há reservados R$ 454 milhões -R$ 75,3 milhões já pagos. O TCU encontrou sinais de sobrepreço em cinco contratos do projeto, incluído no índice de obras com indícios de irregularidades graves que acompanha o Orçamento.

Burocracia
Baixas taxas de execução são o sintoma mais visível de atraso em um investimento, embora, em alguns exemplos, o cronograma da obra possa concentrar quase todos os pagamentos no final do ano. Na maior parte das vezes, são os mesmos projetos que se arrastam desde orçamentos passados, com ou sem obstáculos legais.
É o caso do porto fluvial de São Gabriel da Cachoeira (AM), no alto rio Negro, prometido em setembro pelo ministro Alfredo Nascimento (Transportes) a partir de uma parceria com o governo estadual. A mesma promessa havia sido feita dois anos antes pelo ministro, ao lado de Lula e comitiva.
O projeto, de fato, ganhou ares de prioridade. Foi incluído no então recém-lançado PAC e mereceu R$ 2,4 milhões no Orçamento do ano seguinte e R$ 5,7 milhões neste ano -sem ter recebido nenhum centavo até o momento.
Na visita de 2007 a São Gabriel, Lula apresentou uma descrição mais prosaica do atraso em investimentos. "É preciso a gente ficar esperto", disse, "porque muitas vezes eu estou aqui anunciando, mas daqui a três meses eu pergunto, e a obra não saiu; daqui a quatro meses eu pergunto, e a obra não saiu; daqui a dez meses eu pergunto, e a obra não saiu".
No mesmo discurso, o presidente também declarou já saber "onde está a burocracia que emperra as coisas".
Nos meses seguintes, antes do confronto com o TCU, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), gerente do PAC e provável candidata do PT ao Planalto, entraria em atrito com a área ambiental -sob queixas de atraso nos licenciamentos para obras, a ministra Marina Silva deixou o governo e se tornou outra postulante à sucessão.
Outros empecilhos, mesmo mais numerosos, não permitem um ataque tão particular. Uma pesquisa passada à Folha pela AGU (Advocacia Geral da União) diz que, de 4.419 ações judiciais relativas ao PAC propostas até outubro, 2.048 diziam respeito a desapropriações de terras.
Só as obras de restauração e duplicação da BR-101 em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul resultaram em 460 ações. Procurado, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) também citou as desapropriações como motivo do atraso da duplicação da BR-040 em Minas Gerais.
Em outros três exemplos, citados espontaneamente, o órgão mencionou exigências de estudos de impacto ambiental na BR-319 (AM), questões indígenas em torno da BR-429 (RO) e, no caso da BR-135, preocupações do Ministério da Cultura com a preservação de cavernas na Bahia.
Na semana passada, o cruzamento da lista com as informações do TCU foi passado à Casa Civil e ao Ministério do Planejamento. As pastas, assim como o Ministério das Cidades, não comentaram os dados.

Fragilidade está na rede integrada... Dizem especialistas

Brasil precisa de plano B de energia
Plano B para Copa e Olimpíadas
Autor(es): Gustavo Paul, Mônica Tavares e Eliane Oliveira
O Globo - 16/11/2009

Para evitar apagões, especialistas indicam reforço na transmissão e novos sistemas de geração

BRASÍLIA O Brasil precisará de um plano B de energia para garantir a tranquilidade do fornecimento de luz durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, afirmam especialistas do setor elétrico ouvidos pelo GLOBO. Para eles, o apagão na terça-feira da semana passada deve ser encarado como um alerta de que não basta apenas construir grandes hidrelétricas e novas linhas de transmissão.

Para dar confiabilidade ao sistema e evitar surpresas deve-se rever o planejamento e tomar providências.

Estas vão do reforço da rede de transmissão até a instalação de sistemas paralelos de geração, próximos aos grandes centros, o desenvolvimento de novas tecnologias e a construção de instalações que façam uso eficiente da energia.

A queda simultânea de três linhas de transmissão de Itaipu, que levou ao colapso de outras 15 e apagou 18 estados, mostrou que uma das fragilidades do setor elétrico está justamente numa das suas principais características: a rede integrada. Para contornar esse problema, a solução mais lembrada pelos especialistas é diversificar a matriz energética, investindo em formas alternativas e mais próximas dos grandes centros, como usinas térmicas a gás, biomassa (palha de cana, por exemplo) e eólica. No caso de o sistema interligado cair, essas usinas poderão suprir a demanda local.

Investir na geração próxima às cidades O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, lembra que é necessário investir nestas formas de geração nas proximidades das grandes cidades principalmente durante a Copa. E é preciso investir em um sistema de proteção mais adequado das linhas de transmissão.

— O problema é transmissão e isso leva à necessidade de diversificação da matriz com uma lógica regional — disse Pires.

O consultor de energia renovável e sustentabilidade da Trevisan, Antonio Carlos Porto Araújo, lembra que, além da Copa e das Olimpíadas, há o esperado crescimento econômico pós-crise. Se, nos próximos sete anos, a economia crescer cerca de 5%, o país terá de dobrar a sua oferta de energia, com um acréscimo de cem mil megawatts: — Sem contar a questão social, pois há previsão de atender, com energia elétrica, cerca de 5,5 milhões de famílias, o que daria algo em torno de 20 milhões de pessoas. É um público que necessita de o equivalente a mais de meia Itaipu, ou ao menos 8 mil MW.

O consultor Afonso Henriques, exsecretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, defende que as principais cidades — entre elas as 12 sedes da Copa e dos Jogos — contem com um sistema de cogeração, ou seja, uso de insumos e sobras na produção agrícola e industrial pelas empresas, de forma a reduzir a dependência do sistema interligado. Para ele, ainda há tempo de preparar as cidades que vão receber os jogos da Copa e o Rio, para as Olimpíadas. É necessário, afirma, incentivos para que o metrô, por exemplo, instale geração própria.

O ex-presidente da distribuidora Eletropaulo Eduardo Bernini diz que além de investimentos em transportes, estádios e aeroportos para os Jogos, as autoridades têm de ficar atentas para a necessidade de investimentos na rede de distribuição.

— As consequências da falta de investimentos em um ano só aparece três a quatro anos depois. As distribuidoras atuam no varejo da energia — afirma.

Os exemplos não faltam. No início de novembro, 400 transformadores em 30 bairros do Rio desligaram, deixando 1.500 clientes sem eletricidade, devido ao grande uso de aparelhos de arcondicionado e ventiladores. Segundo técnicos, isso sobrecarregou o sistema, e a solução é instalar mais transformadores ou com potência maior.

Sistema inteligente anteciparia problema

Investimentos em tecnologia são outra saída. O consultor Cyro Vicente Boccuzzi, ex-vice-presidente da Eletropaulo, aponta para a necessidade de o país adotar o chamado smart grip, tendência que vem crescendo no mundo, de fornecimento inteligente de energia. Esse sistema deverá ter regras unificadas em todo o planeta até o fim de 2011 e prevê sistemas inteligentes de detecção de problemas nos sistemas de energia, para anteciparse aos problemas: — O sistema atual não tem desligamento seletivo. A energia é cortada em grandes regiões. Isso pode ser mudado com uso da tecnologia de informação.

Ao mesmo tempo, o sistema prevê geração de energia localizadas — como a solar — em casas, edifícios e estádios, que garantem o abastecimento mesmo se a rede entrar em colapso. A tecnologia existe e, diz Boccuzzi, deve se disseminar no mundo em 2012: — O problema que ocorreu mostrou para a sociedade que os sistemas atuais têm tecnologia que não atende às necessidades da sociedade. Ainda temos uma filosofia de 50 anos atrás.

Claudio Salles, o presidente do Instituto Acende Brasil, órgão que reúne investidores privados no setor, adverte que, além da geração localizada, também devem ser levados em consideração novos investimentos na rede de transmissão, aumentando as linhas de reserva, para o caso de queda de dois ou mais circuitos. Ele defende um novo planejamento setorial: — Temos de melhorar a qualidade do planejamento e espero que o apagão tenha servido para isso.

As cidades sedes da Copa do Mundo também terão de optar por soluções criativas. Uma delas poderá ser construções que usem menos energia, com aparelhos de ar-condicionado mais eficientes e que usem menos iluminação artificial, defende o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia (Apine), Luiz Fernando Vianna: — O planejamento terá que definir se o suprimento de energia da Vila Olímpica no Rio vai ser local, com termelétricas, ou por meio de linhas de transmissão.

Coisa de mãe...

'Caetano não tinha que dizer aquilo'
Foi uma ofensa sem necessidade
Autor(es): Rita Conrado*
O Globo - 16/11/2009

SALVADOR. Mãe de Caetano Veloso, dona Canô Veloso, de 102 anos, jura que não vai puxar as orelhas do filho, mas faz questão de telefonar hoje para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: quer se desculpar pelas declarações do cantor, que chamou o presidente da República de analfabeto, grosseiro e cafona numa entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

— Se ele me atender, falo com ele — disse dona Canô, que ainda não sabe o que dizer. — Vou falar o que estiver sentindo na hora.

Mas a matriarca da família Veloso tem dúvidas sobre se Lula poderá atendê-la.

— Tentei falar com ele no dia do seu aniversário, mas eu não consegui. Ele é muito ocupado — disse dona Canô, que, apesar de não concordar com Caetano Veloso, disse que não vai lhe puxar as orelhas. — Ele mesmo puxa. Sabe que o presidente não merece isso.

A mãe de Caetano falou do carinho que nutre pelo presidente: — Lula não merece isso. Quero muito bem a ele. Foi uma ofensa sem necessidade.

Caetano não tinha que dizer aquilo.

Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar confusão.

Dona Canô não se mostrou preocupada com uma possível insatisfação de Caetano às suas declarações ou às de seu irmão, Rodrigo Veloso, secretário de Cultura de Santo Amaro.

— Ele está doido? Ele tem de aceitar — disse, ressaltando que não fará uma reprimenda ao filho. — Ele também não merece. É o jeito dele.

O irmão de Caetano atribuiu ao “jeito” de Caetano as declarações sobre Lula, que achou absurdas.

— Caetano tem mania de falar sem pensar e aí diz coisas assim.

Falou de maneira preconceituosa.

Achei maluquice. Fiquei revoltado — disse Rodrigo, que contou como surgiu o pedido de desculpas.

— No palanque de um evento em Santo Amaro, a primeira coisa que me ocorreu, vendo o secretário Rui Costa (de Relações Institucionais do Estado), foi pedir a ele que transmitisse ao governador Jaques Wagner e ao presidente Lula o pedido de desculpas em nome da minha mãe e da nossa família.

Achei decente fazer isso.

Segundo Rodrigo, as declarações de Caetano foram feitas dois dias após Lula ter atendido a um pedido de dona Canô.

— Minha mãe pediu e o presidente solicitou ao secretário da Saúde que ajude a Santa Casa de Misericórdia, que está prestes a fechar — disse Rodrigo, que afirmou desconhecer as intenções de Caetano com as declarações. — Pelo que conheço dele, já até esqueceu o que falou.

Políticamente vinculante...Essa é a parte que nos cabe.

LÍDERES MUNDIAIS DESCARTAM ACORDO SOBRE AQUECIMENTO
LÍDERES DE PAÍSES RICOS DESCARTAM ACORDO DEFINITIVO EM COPENHAGUE
Autor(es): Claudia Trevisan
O Estado de S. Paulo - 16/11/2009

Líderes políticos da região asiática, dos Estados Unidos e da Europa descartaram ontem a possibilidade de assinar um novo tratado climático internacional em Copenhague, no mês que vem. No linguajar diplomático, fala-se agora em um acordo "politicamente vinculante", em vez de "legalmente vinculante", o que ficaria para uma próxima conferência, em 2010.

Na prática, isso significa que as metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa para a segunda fase do Protocolo de Kyoto seriam definidas só no ano que vem.

"Dado o fator de tempo e a situação de alguns países específicos, deveríamos, nas próximas semanas, focar esforços no que é possível fazer, sem nos deixar distrair por aquilo que não é possível", disse o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen. Anfitrião do encontro do próximo mês, Rasmussen fez ontem uma viagem não programada a Cingapura, para conversar com os governantes das 21 nações que compõem a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) - grupo que inclui os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa.

O possível, segundo Rasmussen, seria um acordo político em Copenhague que estabelecesse diretrizes básicas e um novo prazo para negociação de metas específicas de redução de emissões. O impossível seria fechar essas metas já no mês que vem, antes que o projeto de lei sobre mudança climática dos Estados Unidos possa ser votado no Congresso americano.

"Mesmo que não consigamos definir todos os detalhes de um instrumento legalmente vinculante, eu acredito que um acordo político de caráter obrigatório, com compromissos específicos de mitigação e financiamento, fornecerá bases sólidas para ação imediata nos próximos anos", disse Rasmussen.

Esse documento político, que poderia ter de cinco a oito páginas, criaria mecanismos para o enfrentamento imediato do problema, "antes mesmo que uma nova estrutura legal seja acordada, assinada, ratificada e efetivada", completou o primeiro-ministro dinamarquês.

A opinião dos governantes que se reuniram sábado e domingo em Cingapura foi transmitida pelo vice-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Mike Froman. "Os líderes avaliaram que seria irrealista esperar um amplo acordo internacional legalmente vinculante entre agora e o início de Copenhagen (no dia 7)", disse o norte-americano, segundo as agências internacionais.

Na verdade, as negociações começaram há dois anos, após a conferência de Bali, na Indonésia, que estabeleceu 2009 como prazo legal para renovação das metas do Protocolo de Kyoto. Vários países industrializados, porém, condicionam a definição de suas metas à participação dos Estados Unidos - algo que depende da votação da lei americana no Congresso.

A disposição internacional de aprovar metas ambiciosas e obrigatórias de corte de emissões diminuiu depois da crise econômica de 2008. Os países ricos estão preocupados com a situação econômica e resistem a assumir compromissos que possam prejudicar a retomada do crescimento.

O tema está na agenda do presidente americano Barack Obama, que desembarcou ontem em Pequim para um encontro com o presidente chinês, Hu Jintao. Anteontem, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, criticaram uma suposta estratégia dos colegas americano e chinês de negociar um acordo climático bilateral, em detrimento de um tratado internacional em Copenhague